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Mortalidade excessiva no inverno atinge pico em 10 anos, excluindo pandemia

Mortalidade em excesso no inverno de 2025/2026 é a mais alta em dez anos fora da pandemia, com 4.685 óbitos acima do esperado e pico entre 85+

Cemitério
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  • A mortalidade em excesso neste inverno (2025/2026) foi a mais alta em dez anos, excluindo a pandemia, com 4.685 óbitos acima do esperado até 8 de abril.
  • O período de nove semanas de excesso de mortalidade afetou todas as regiões de Portugal continental, com um aumento de 21%.
  • Os maiores aumentos ocorreram entre 85 anos ou mais (2.805 óbitos em nove semanas) e entre 45 e 64 anos (114 óbitos em duas semanas).
  • O fenômeno coincidiu com a epidemia de gripe e com o frio extremo de dezembro de 2025 a janeiro de 2026, gerando grande pressão nos serviços de saúde (INEM, SNS 24, urgências).
  • Em comparação, os dados de anos anteriores mostram variações: 1.609 óbitos em excesso em 2024/2025, 3.624 em 2023/2024 e 5.491 em 2014/2015, com o excesso refletindo factores como doenças na velhice, comorbidades e pobreza energética.

Neste inverno 2025/2026, Portugal registou a maior mortalidade em excesso dos últimos dez anos, excluindo os anos da pandemia. Foram 4.685 óbitos acima do esperado até ao dia 8 de abril, num aumento de 21%. O relatório do Plano de Resposta Sazonal em Saúde (Módulo Inverno) chegou à redacção da Lusa.

O excesso de mortalidade ocorreu em todas as regiões de Portugal continental, embora com variação na duração. A avaliação aponta nove semanas com excesso de mortalidade, mantendo-se acima do esperado durante esse período.

Entre os grupos etários, destacam-se os 85 anos ou mais, com 2.805 óbitos acima do previsto ao longo de nove semanas, e o grupo entre os 45 e os 64 anos, com 114 óbitos adicionais em duas semanas. O documento associa o fenómeno à gripe sazonal e ao frio extremo de dezembro de 2025 a janeiro de 2026.

Relação com gripe e frio extremo

A mortalidade em excesso coincide com a epidemia de gripe, sinalizando maior pressão nos serviços de saúde. O pico do vírus ocorreu entre o Natal e a primeira semana de 2026, com contornos de sobrecarga hospitalar e de urgência.

Dados do INEM indicam mais de 5 mil chamadas/dia no auge da gripe, a Linha SNS 24 recebeu acima de 25 mil atendimentos e os serviços de urgência passaram de 10 mil episódios/dia. As altas administrativas ficaram inferiores ao necessário para internamentos.

Perspetivas históricas e fatores subjacentes

Como referência, o outono/inverno de 2024/2025 registou 1.609 óbitos em excesso, enquanto 2023/2024 teve 3.624 e 2022/2023 soma 1.959. Os picos incidiam sobretudo na época de gripe, com o maior de 1.423 óbitos.

Para usar dados semelhantes aos de 2025/2026, recua-se até 2014/2015, com 5.491 óbitos em excesso. O ano seguinte foi o último sem mortalidade adicional nesse âmbito.

O excesso de mortalidade resulta de um conjunto de fatores que afetam a saúde da população: doenças associadas ao envelhecimento, comorbilidades, condições sociais e habitação com aquecimento insuficiente, conhecidos como pobreza energética.

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