- Hospitais enfrentam dificuldades na compra de consumíveis, como luvas e sacos, devido ao aumento de preços das matérias-primas após o conflito no Médio Oriente.
- A APAH aponta que já há escassez de alguns produtos, incluindo luvas, batas cirúrgicas e máscaras, embora não seja generalizada.
- O subida de preços chegou a ter aumentos de 30% a 50% em pouco tempo, afetando contratos públicos já assinados entre hospitais e fornecedores.
- Fornecedores relutam em manter preços pré-acordados ou em fazer novos concursos, temendo não conseguir cumprir os compromissos.
- O presidente da APAH alerta para um período de grande incerteza e sugere uma resposta do Governo semelhante à pandemia, para garantir estabilidade de fornecimento e mitigar riscos.
O aumento dos preços de consumíveis hospitalares, como luvas e sacos, começa a afetar a compra de material médico em Portugal. A subida é impulsionada pelo aumento das matérias-primas, situação agravada pela guerra no Médio Oriente, segundo a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).
A APAH disse que vários hospitais enfrentam dificuldades para adquirir consumíveis devido a contratos públicos já estabelecidos a preços que não conseguem suportar com a atual volatilidade. Relatos a apontam aumentos de 30% a 50% em certos itens num curto espaço de tempo.
Segundo Xavier Barreto, presidente da APAH, a escassez não é generalizada, mas já se manifesta em itens como luvas, batas cirúrgicas e máscaras. O fornecedor pode não conseguir manter preços pré-acordados, levando a atrasos e reajustes.
Contratos e mercado
Barreto explica que, em muitos concursos, há dificuldade em adjudicar compras porque fornecedores não querem assumir riscos de variação de preços. O governo é visto como capaz de atuar de forma semelhante ao período da pandemia, assegurando continuidade de abastecimento.
O responsável admite que o cenário cria “enorme incerteza” e volatilidade de preços. Fornecedores também evitam manter stocks elevados a preços atuais, temendo não conseguir vender depois a preço alto, o que agrava a disponibilidade.
Os hospitais não possuem reservas suficientes para a demanda imediata de exames, observações de doentes e cirurgias, que consomem grandes quantidades de luvas e outros consumíveis. A situação pode afetar também o fornecimento de medicamentos no futuro, caso disrupções logísticas se agravem.
Para Barreto, o Governo deve encarar este contexto como uma circunstância excecional, procurando uma partilha de risco entre compradores e fornecedores para evitar impactos significativos na assistência. Afirmou que há potencial de agravamento se as cadeias de abastecimento continuarem instáveis.
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