Marta Temido, ex-ministra da Saúde, afirmou nesta quinta-feira que, quando ocupava o cargo, o INEM não era um problema e manifestou descontentamento com regras que considera desadequadas para a emergência médica. A governante está a ser ouvida na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM.
Questionada sobre as verbas de saldos de gerência que o INEM teria de devolver, a antiga ministra atribuiu a responsabilidade às regras orçamentais em vigor. Reiterou a necessidade de uma moldura financeira própria para a saúde,gerida com dinheiros públicos.
Temido apontou que o cerne do problema não está apenas no financiamento, mas também na gestão. Referiu concursos para técnicos de emergência pré-hospitalar que não resultaram em vagas preenchidas, ilustrando falhas de funcionamento.
Sobre o modelo de gestão, destacou que o setor da saúde exige regras de gestão mais flexíveis. Accessou que a administração pública tem estruturas incompatíveis com a prestação de cuidados, recomendando mudanças estruturais.
A ex-ministra sinalizou que, sem reformulação das regras, a privatização da gestão poderia aparecer como alternativa. Defendeu que o setor da saúde requer um olhar diferente sobre as regras atuais.
A Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM é composta por 24 deputados, com o objetivo de apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à situação atual. O foco está na atuação do INEM durante a greve de outubro a novembro de 2024.
O inquérito acompanha também a relação entre as tutelas políticas e o instituto desde 2019, incluindo impactos na resposta a situações de emergência. A audiência de Temido insere-se neste contexto.
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