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VSR: mais prevenção e protecção para adultos

Especialistas alertam para subdiagnóstico do VSR em adultos; prevenção e diagnóstico molecular são pilares para evitar internamentos e custos

António Saraiva
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  • O vírus sincicial respiratório (VSR) pode ser grave em adultos mais velhos e com doenças crónicas, incluindo mortalidade associada a internamentos.
  • Existe pouco conhecimento sobre o VSR e subdiagnóstico elevado, com necessidade de melhor sensibilização e prevenção.
  • Estudo ROSA em Matosinhos mostrou que o VSR pode representar até 10% dos internamentos por infeções respiratórias, com mortalidade hospitalar cerca de 20% e custos por internamento próximos de 4.757 euros.
  • Trabalhadores e especialistas alertam para diagnóstico inadequado e uso de testes de antigénio pouco sensíveis em adultos; defendem testes de biologia molecular (PCR) para confirmar o VSR.
  • Especialistas defendem políticas públicas de prevenção para adultos vulneráveis, com consenso de várias sociedades médicas na defesa de proteção contra o VSR e vacinação como investimento que supera os custos.

O vírus sincicial respiratório (VSR) é responsável por infecções comuns, mas pode ter consequências graves em adultos com mais de 18 anos ou com doenças crónicas. Especialistas e representantes de associações de doentes alertaram para a necessidade de mais prevenção e proteção para adultos, especialmente os mais velhos.

O alerta foi lançado no evento Impacto Real do VSR em Adultos: Evidência para a Ação, realizado a 10 de março, em Lisboa. A organização foi feita pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), em parceria com o Público, com apoio da GSK e da Embaixada Britânica.

VSR: o que se sabe

O médico Filipe Froes, da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, descreveu o VSR como o “vírus sem reconhecimento”, destacando um subsequente subdiagnóstico. Dados internacionais indicam cerca de 160 mil internamentos anuais em adultos na Europa, segundo o especialista.

Froes explicou que a carga de doença nos adultos pode equivaler à das crianças, mas permanece subestimada por falta de diagnóstico. O uso de testes de antigénio, com sensibilidade baixa em adultos, contribui para esse cenário, sendo recomendados os métodos moleculares como PCR.

Evidência para a Ação

Cristina Gavina, cardiologista da ULSM e coordenadora do estudo ROSA, apresentou dados de Matosinhos: até 10% dos internamentos por infeções respiratórias resultam de VSR, com custos diretos por internamento perto de 4 757 euros. A mortalidade hospitalar gira em torno de 20%, superior à observada na gripe.

A gravidade da doença também se reflete no tempo de internamento, na necessidade de oxigénio e, por vezes, na utilização de cuidados intensivos. A mortalidade alta é apresentada como um dos impactos mais relevantes da infeção por VSR.

Perfil de risco e custos

Tal como noutras infeções respiratórias, os adultos idosos e com comorbidades são os mais vulneráveis. Diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares foram as com maior expressão entre os casos estudados. Os custos por internamento variam, com números de quase 4 700 euros para VSR frente a cerca de 3 500 euros para influenza.

Além do impacto económico, Gavina destacou a perda de autonomia e o efeito indireto sobre famílias, reforçando a relação custo-eficácia de estratégias preventivas.

Prevenção como prioridade

Froes e Gavina defendem investir em políticas públicas de prevenção para adultos vulneráveis. Um documento de consenso, subscrito pela SPP e por outras cinco sociedades médicas nacionais, defende a proteção contra o VSR para idosos e pessoas com doenças crónicas como medida essencial.

Entre os signatários estão a SPC, representada por Gavina, e organizações de doentes, como a AADIC e a RESPIRA. Participantes de várias ULS enfatizaram a importância de facilitar o acesso a intervenções preventivas.

Caminho a seguir

As autoridades defendem reforçar a prevenção do VSR em idade adulta, com políticas públicas de apoio semelhantes às existentes para faixas etárias mais novas. O objetivo é reduzir internamentos, custos hospitalares e mortalidade associada à infeção.

Para quem procura informação adicional, é recomendado consultar o médico assistente.

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