Não há indícios de que os esforços da indústria para combater a resistência antimicrobiana acompanhem o ritmo do aumento de infeções resistentes. Um relatório da Access to Medicine Foundation apresenta um retrato global preocupante.
O portefólio de novos antibióticos encolheu 35% nos últimos cinco anos. Em 2026, apenas 60 projetos estavam em desenvolvimento por grandes farmacêuticas, frente a 92 em 2021, o que evidencia uma subida da resistência mundial.
Situação atual da AMR
O relatório analisa a I&D de 15 empresas do sector, incluindo GSK, Pfizer, Shionogi, MSD e Otsuka. A GSK lidera com 30 produtos, entre vacinas e terapêuticas antibacterianas, incluindo três inovações.
Mudança de liderança no mercado
A Shionogi superou a Pfizer, que ocupava o segundo lugar em 2021. O documento ressalva que o desempenho permanece desigual entre as empresas e que o objetivo global ainda está longe.
Impacto na população
A resistência antimicrobiana já afeta uma sexta-feira infeção bacteriana confirmada no final de 2025, segundo a OMS. Na UE, supera os 35 mil mortos anuais, com projeção global de 39 milhões entre 2025 e 2050.
Foco em crianças
As crianças são particularmente vulneráveis, sobretudo em países de baixos e médios rendimentos. O estudo aponta apenas cinco medicamentos pediátricos em desenvolvimento e 13% dos projetos visam menores de cinco anos.
Desafios de acesso e desenvolvimento
De todos os novos antibióticos desde 2000, apenas 10% têm indicação pediátrica. Formulações para crianças podem demorar anos a aprovar. A disponibilidade de antibióticos existentes em países menos ricos é fraca.
Próximos passos
Sete projetos considerados inovadores operam em fases avançadas: três em grandes farmacêuticas (GSK, Otsuka, Shionogi) e quatro em PME (BioVersys, F2G, Innoviva, Venatorx). O relatório aponta necessidade de reformas globais e nacionais para acelerar I&D.
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