A Covid-19 longa continua invisível, subdiagnosticada e sem resposta estruturada em Portugal, segundo a Associação de Médicina de Portugal (AMM). A organização aponta ainda para a ausência de dados epidemiológicos, de centros de referência dedicados e de formação clínica adequada para enfrentar a condição.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia e a AMM sustentam que não existe definição universal sobre o que é a Covid-19 longa. A Organização Mundial da Saúde indica que a condição pós-infecção costuma surgir nos primeiros três meses após a infeção inicial, com sintomas que persistem por pelo menos dois meses e sem explicação por outro diagnóstico.
Para o pneumologista João Carlos Winck, membro do Conselho Científico da AMM, a Covid-19 longa integra o grupo das síndromes pós-infeciosas, que inclui também a EM/SFC. Estas condições podem gerar fadiga extrema, mal-estar após esforço, disfunção cognitiva, intolerância ortostática, distúrbios do sono e dor musculoesquelética, tornando-se muitas vezes incapacitantes.
Em vésperas do Dia Internacional de Consciencialização para a Covid Longa, a AMM afirma que a invisibilidade da doença crónica acarreta consequências profundas, como perda de autonomia, dificuldades no mercado de trabalho e estigmatização social, sublinhando a necessidade de respostas estruturadas no sistema de saúde.
A organização estima que mais de 400 milhões de pessoas vivam com Covid longa, e estudos indicam que mais da metade dos doentes permanece sintomática um ano após a infeção, segundo dados citados pela AMM.
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