Farmácias em Itália começaram a distribuir kits gratuitos de deteção de drogas em bebidas, numa iniciativa para o Dia Internacional da Mulher. A ação visa prevenir violações e alertar para o assédio sexual facilitado por drogas nos bares e discotecas.
No total, 1.500 kits vão para Roma e 2.500 para Veneza, segundo a Federazione Nazionale delle Farmacie (Federfarma). A distribuição é promovida pela associação para sensibilizar sobre os riscos.
Os dispositivos permitem às mulheres detetar a presença de drogas ou sedativos, como cetamina ou GHB, nos cocktails. O kit inclui uma tira de papel que muda de cor se o teste for positivo, recomendando descartar a bebida.
A iniciativa batizada Il senso non si sciogle in un drink foi lançada a 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para assinalar a data. Também foi promovida no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.
O presidente da Federfarma Roma, Andrea Cicconetti, afirmou que o consentimento é fundamental e que prevenir implica consciencializar e disponibilizar ferramentas acessíveis. As farmácias são descritas como pontos de referência no dia a dia.
Com a pandemia, farmacêuticos passaram a receber formação para detectar possíveis denúncias de violência, incluindo mensagens codificadas por clientes, como quero uma máscara 1522, activadas ao balcão.
Contexto e perspetivas públicas
Este 8 de março em Itália volta a incluir manifestações feministas por igualdade e segurança jurídica para as mulheres. O ano encerrou com 84 femicídios segundo o Observatório Non Una Di Meno, refletindo a urgência das iniciativas.
Em paralelo, está em tramitação um projeto de lei sobre violência sexual. Embora aprovado anteriormente por várias bancadas, o Governo de direita eliminou o princípio do consentimento da vítima, gerando protestos.
Em 28 de fevereiro, centenas de pessoas marcharam em Roma para denunciar a alteração legislativa e defender que sexo sem consentimento é violação. O tema continua no centro do debate público e político.
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