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Cinco aprendizados da nova pirâmide alimentar invertida dos EUA

Nutricionistas divergem sobre a nova pirâmide invertida dos EUA, com dúvidas sobre proteína, lacticínios e açúcar e impacto na saúde pública

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As novas directrizes da Administração Trump falam da redução de refinados
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  • A nova pirâmide alimentar invertida dos EUA orienta substituir comida embalada por “comida de verdade”, com mais frutas, vegetais e cereais integrais, e menos ultraprocessados.
  • As nutricionistas destacam que, apesar da preocupação com açúcares e ultraprocessados, há contradições sobre proteína, lacticínios e porções; em Portugal, a maioria olha com vantagens para a dieta tradicional.
  • Proteína recomendada aumentou para 1,2 a 1,6 gramas por quilo de peso, o que implica ingestões superiores às anteriores e coloca a carne vermelha no topo da pirâmide, gerando controvérsia.
  • A gordura incluída na pirâmide, com manteiga e gordura de vaca, suscitou críticas; recomenda-se azeite como principal gordura, com gorduras boas vindas em abacate e frutos secos.
  • Lacticínios inteiros passam a ser destacáveis para certos grupos, mas especialistas alertam que podem aumentar o aporte energético; também se discute o papel dos açúcares, com limite de até 10 gramas por refeição, e um conselho geral de reduzir o álcool.

A nova pirâmide alimentar invertida dos EUA, apresentada pela Administração de Donald Trump, recomenda substituir comida embalada por alimentos de verdade, com foco em frutas, vegetais e cereais integrais. O documento sugere reduzir ultraprocessados e açúcares, mas levanta dúvidas sobre proteína, lacticínios e porções. A orientação foi apresentada numa conferencia na Casa Branca com o secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr.

Segundo nutricionistas portugueses, a ideia de uma pirâmide sem quantificações porções é criticável. A vice-presidente da Ordem dos Nutricionistas, Carla Pedrosa, aponta que falta hierarquia e que a roda de alimentos de Portugal já funciona com porções claras. A professora universitaria Conceição Calhau acrescenta que a política pública o deveria considerar no contexto nacional, com maior peso para a alimentação mediterrânica.

Na prática, o plano propõe aumentar proteína entre 1,2 e 1,6 g por quilo de peso corporal e encorajar proteínas com origem animal e vegetal ao longo do dia. Pedrosa questiona a posição da carne vermelha no topo da pirâmide, associando-a a riscos de cancro. Calhau defende diversidade proteica e maior inclusão de leguminosas na dieta diária.

Quanto aos lacticínios, o documento passa a enfatizar opções integrais em vez de magras. Pedrosa assinala que estas podem ser aconselhadas em populações com carência de ácidos gordos, mas elevam o teor de calorias e de colesterol. Calhau ressalva que a diferença entre integrais e meio-gordos não é expressive, mas pode impactar vitaminas lipossolúveis, sobretudo a vitamina D.

No capítulo dos açúcares, a orientação norte-americana limita a 10 g de açúcar adicionado por refeição, o que pode equivaler a mais do que a média recomendada pela OMS quando somado ao dia inteiro. Sobre álcool, a diretiva é vaga, pedindo apenas reduzir o consumo para melhorar a saúde geral.

Especialistas portugueses destacam ainda que legumes congelados ou enlatados mantêm valor nutricional e devem ser usados com preparação adequada. A abordagem de marketing de “comida de verdade” é vista com ceticismo por alguns, que defendem uma leitura mais detalhada sobre processamento de alimentos e impacto na saúde pública.

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