- René Redzepi demitiu-se da liderança do Noma na noite de quarta-feira, assumindo a responsabilidade por anos de comportamento inaceitável na cozinha.
- O restaurante está a realizar um pop-up de quatro meses em Los Angeles, com preço de 1500 dólares por pessoa, já esgotado.
- A pressão pública e a perda de dois grandes patrocinadores — American Express e Blackbird — tornaram a posição de Redzepi insustentável.
- Redzepi passou o cargo aos sous-chefs que vão liderar o restaurante durante o pop-up e afastou-se também da direção da organização MAD.
- O historial de conduta tóxica foi revelado por testemunhos recolhidos entre 2009 e 2017, verificados pelo The New York Times.
René Redzepi, chef do Noma, demitiu-se da liderança do restaurante dinamarquês após denúncias de abusos e maus-tratos a funcionários. A decisão ocorreu na noite de quarta-feira, numa altura em que o Noma faz um pop-up em Los Angeles, previsto para durar quatro meses.
O anúncio foi feito diante da equipa, com Redzepi a assumir a responsabilidade por comportamentos considerados inaceitáveis ao longo de anos, incluindo violência física e psicológica contra colaboradores. O comunicado aponta a necessidade de mudanças que não apagam o passado.
O Noma, já reconhecido várias vezes como melhor restaurante do mundo e detentor de três estrelas Michelin, está a preparar o pop-up em Los Angeles, com preços de até 1500 dólares por pessoa e já com total esgotamento.
Contexto e repercussão
A pressão pública aumentou após denúncias difundidas publicamente, que motivaram a retirada de patrocinadores do evento. A American Express e a Blackbird anunciaram que não vão manter o financiamento do projeto em LA.
Redzepi transferiu a responsabilidade aos sous-chefs que integram a equipa, pedindo que assumam a gestão durante o pop-up e, previsivelmente, no futuro. O chef também informou a saída do seu cargo na direção do MAD, a organização sem fins lucrativos que fundou em 2011.
Um vídeo divulgado pela equipa mostra Redzepi a falar com os funcionários, no momento em que estes permanecem em silêncio, em tom de contenção, sem aparente reação imediata.
Antecedentes
Em 2015, Redzepi já reconhecera ter crescido numa cultura de violência nas cozinhas, dizendo que, ao abrir o seu próprio restaurante, o peso das expectativas o levou a experiências de raiva que degradavam o ambiente de trabalho.
A revelação das denúncias sobre abusos terá ocorrido há cerca de um mês, quando um antigo colaborador, Jason Ignacio White, criou uma página de Instagram e um site com dezenas de testemunhos. As acusações referem agressões físicas e abusos psicológicos entre 2009 e 2017.
O The New York Times contactou 35 vítimas e confirmou a veracidade de várias acusações, fortalecendo o ciclo de críticas que culminou na demissão de Redzepi. O chef pediu desculpas, reconhecendo que as suas ações foram prejudiciais, sem, contudo, admitir todos os pormenores.
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