- A ONU é criticada por atrasos de vistos e pela redução do espaço cívico nas negociações climáticas da SB64, em Bona, Alemanha, que decorrem entre 8 e 18 de junho.
- A Climate Action Network (CAN) recebeu apenas cinco convites para conferências de imprensa, sendo posteriormente adicionadas mais duas vagas pela ONU, o que é visto como uma diminuição do espaço cívico.
- Há um aumento de lobistas pró-petróleo nas cimeiras, com a KBPO a dizer que, na COP30, um em cada 25 participantes era lobista de combustíveis fósseis, o que representa a maior concentração desde 2021.
- Ativistas climáticos e jornalistas enfrentam custos elevados, barreiras de visto e atrasos na obtenção de credenciais, dificultando a cobertura independente das negociações.
- O IDOS alerta para exclusão de delegados de países menos desenvolvidos devido a atrasos ou recusas de visto, com casos em Bona e dados do encontro anterior a evidenciar dificuldades semelhantes.
A conferência SB64 da UNFCCC decorre em Bona, Alemanha, entre 8 e 18 de junho, reunindo delegados de várias regiões para tratar de adaptação, combustíveis fósseis, solos, comércio e transição justa. O foco está na evolução de compromissos políticos para ações concretas.
A novidade deste encontro surge num contexto de crescente pressão por maior implementação de políticas climáticas, após a COP30 em Belém não ter conseguido aprovar uma folha de rota para eliminar progressivamente os combustíveis fósseis. A discussão inclui influências de iniciativas fora do processo formal da ONU.
Espaço cívico em queda
Relatórios indicam uma redução do acesso da sociedade civil a briefings na SB64. A Climate Action Network recebeu menos vagas de conferência de imprensa este ano, levando críticas à diminuição de espaço público para jornalistas, observadores e comunidades afetadas. A ONU abriu depois mais duas vagas à CAN.
Entidades da sociedade civil alertam para que a restrição não comprometa a responsabilização das Partes e para que a participação de representantes de países em desenvolvimento não seja descurada. A coordenação de briefings continua a ser uma via essencial de divulgação.
Luta de vistos e custos de participação
Observa-se um aumento de dificuldades de visto para participantes de África, Ásia e outras regiões vulneráveis. Dados do IDOS indicam que, no encontro anterior, centenas de delegados com pedidos de visto enfrentaram atrasos, recusas ou custos elevados, impedindo a participação plena.
Organizações como a CAN Africa destacam que atrasos de visto criam desequilíbrios entre delegações, especialmente entre países menos desenvolvidos, e prejudicam a representatividade nas negociações.
Lobbying e acesso ao PIB da negociação
A participação de lobistas pró-petróleo intensificou-se em encontros climáticos, com análises recentes a apontarem para uma maior presença de representantes ligados a combustíveis fósseis. Observadores temem que o aumento do lobbying reduza a influência de vozes independentes e civis.
Especialistas destacam que a atuação de grupos da sociedade civil, jornalistas e comunidades afecta diretamente a transparência e a responsabilização no processo multilateral. A situação em Bona reflete tensões entre eficiência das negociações e inclusão.
Impacto humano e futuro das negociações
Organizações de base destacam que cada atraso na emissão de vistos acarreta custos reais para projetos locais, jovens e comunidades vulneráveis. A participação efetiva é vista como componente central da justiça climática, sobretudo para quem enfrenta impactos diretos das alterações climáticas.
Fontes envolvidas no processo sustentam a importância de manter portas abertas para observadores independentes, com o objetivo de sustentar a credibilidade das negociações e a confiança entre as Partes.
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