- O ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz García, apresentaram a demissão numa altura de crise política e social na Bolívia, marcada por protestos e bloqueios de estradas que já duram há mais de um mês.
- Os protestos, envolvendo trabalhadores, agricultores, mineiros, transportadores e docentes, exigem medidas urgentes face ao aumento do custo de vida, com cerca de uma centena de bloqueios actualmente registados.
- O presidente Rodrigo Paz teme um ponto de rutura e não excluso a declaração do estado de emergência, apesar de manter o diálogo como prioridade.
- As forças de segurança recorreram a gás lacrimogéneo em alguns protestos, e houve detidas, num contexto de receio de uma intervenção militar em grande escala.
- Alguns sectores da oposição defendem um referendo revogatório para decidir a continuidade de Paz, enquanto o governo insiste na via do diálogo e rejeita demissão.
A Bolívia vive uma crise política e social marcada pela demissão do ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e da ministra da Educação, Beatriz García. A decisão ocorreu na terça-feira, num contexto de protestos de larga escala e de crescente pressão sobre o presidente Rodrigo Paz. Os dois membros do Executivo deixaram os cargos numa altura de agravamento económico e social.
Os protestos, que já duram mais de um mês, envolvem trabalhadores, agricultores, mineiros, transportadores e docentes. Bloqueios de estradas intensificaram-se, afetando o abastecimento de alimentos, medicamentos e combustível em várias cidades, incluindo La Paz e El Alto. As autoridades relatam centenas de detenções.
Paz chegou ao poder em novembro de 2025 e descreveu a situação como um ponto de rutura. O Presidente não excluiu a hipótese de declarar estado de emergência para permitir maior intervenção das Forças Armadas, embora tenha defendido o diálogo como caminho. O governo tem recorrido a gás lacrimogéneo para dispersar protestos.
Forças de segurança encerraram confrontos com detidos, enquanto a imprensa relata dificuldades de acesso a bens de primeira necessidade em zonas urbanas. O Executivo tem mantido que não haverá intervenção militar maciça, para evitar agravamento da crise, e continua a defender negociações com sindicatos e comunidades.
A crise também envolve uma leitura sobre a influência de Evo Morales, ex-presidente que permanece em paradeiro incerto. O governo acusa alguns apoiantes dos bloqueios de tentar desestabilizar, ao passo que Morales critica políticas económicas de Paz e defende eleições antecipadas.
Como resposta às pressões, Paz anunciou medidas económicas, incluindo cortes salariais para autoridades e aumento de apoios sociais, aliadas a uma maior participação de organizações indígenas. Contudo, as ações não conseguiram travar as mobilizações nem reduzir a tensão entre governo e oposição.
Alguns dirigentes da oposição sugerem realizar um referendo revogatório para decidir a continuidade de Paz no poder. A proposta ganha força num quadro de bloqueios persistentes e de incerteza institucional, com o governo a insistir no diálogo e a rejeitar cenários de demissão.
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