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Projeto com veneno de cobra para substituir opioides vence concurso

Projeto vencedor usa veneno da mamba-negra para desenvolver analgésico não opióide, visando reduzir dependência de opióides na gestão da dor

Cecília Rodrigues, vice-reitora para a investigação da Universidade de Lisboa, ao lado de João Sequeira, o vencedor do concurso *3 Minutos de Tese* de 2026
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  • João Sequeira, doutorando da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, venceu o concurso 3 Minutos de Tese com um projeto que usa o veneno da mamba-negra para buscar um analgésico não opióide.
  • O objetivo é adaptar o efeito analgésico do veneno para criar fármacos que controlem a dor sem os problemas associados aos opióides.
  • O pesquisador usa simulações computacionais para entender como os sensores de dor nos neurónios são manipulados pelo veneno e assim orientar a descoberta de moléculas ativas.
  • Embora ainda não haja um medicamento novo, o trabalho já criou um mapa detalhado que pode facilitar investigações futuras rumo a uma alternativa aos opioides.
  • O evento, realizado no Pavilhão de Portugal em Lisboa, premiou João Sequeira com o primeiro lugar; o segundo e o terceiro lugares ficaram para Maria Pedro Teixeira (Listeria) e Christoph Wenzl (Trypanosoma brucei), respetivamente.

João Gonçalo Sequeira, doutorando da FCUL, venceu o concurso 3 Minutos de Tese com um projeto inspirado pelo veneno da mamba-negra para enfrentar a dor. O objetivo é encontrar um analgésico não opióide que substitua a morfina.

O estudo utiliza simuladores computacionais para entender como os sensores de dor nos neurónios respondem ao veneno e como o cérebro recebe o sinal da dor. A equipa pretende identificar moléculas que proporcionem forte alívio sem os problemas dos opioides.

A final ocorreu no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, com 12 finalistas de um total de cerca de 150 candidatos. O concurso é organizado pela Universidade de Lisboa em parceria com a FLAD e o jornal Público.

O que se sabe sobre o projeto

Sequeira desenvolveu um programa que simula a interação entre o veneno e os neurónios para mapear como o alívio da dor é alcançado. O próximo passo é encontrar moléculas que reproduzam esse efeito sem a característica viciante dos opioides.

O objetivo final é criar um medicamento promissor que possa vir a ser um passo importante no tratamento da dor crónica, evitando os riscos associados aos opióides. O projeto ainda não resultou em uma molécula aprovada.

Outras escolhas finais

A segunda posição ficou com Maria Pedro Teixeira, da FMVUL, que abordou a resistência de Listeria monocytogenes em frigoríficos e a sua relação com a exposição a temperaturas e químicos. O estudo realça a importância de compreender biofilmes para proteger a alimentação.

A terceira posição foi atribuída a Christoph Wenzl, da FMUL, que apresentou uma investigação sobre o parasita Trypanosoma brucei. O foco é entender a regulação da cauda poli-A do ARNm para reduzir a proteína de camuflagem do parasita e facilitar a resposta imunitária.

Próximos passos e prémios

Os vencedores recebem 5000 euros, o segundo classificado 2000 euros e o terceiro 1000 euros. A cerimónia de entrega está marcada para 16 de junho, no mesmo local da prova.

Entre os finalistas estiveram investigadores de várias áreas, incluindo agricultura celular, imunologia e biotecnologia, com projetos que vão desde alimentos a aplicações médicas e terapêuticas.

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