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Funcionários de banco ucraniano descrevem apreensão de dinheiro na Hungria

Mais de setenta milhões de euros e ouro do Oschadbank permanecem apreendidos na Hungria, com investigações em curso e relatos de abusos durante a detenção

ARQUIVO: um dos dois Oschadbank regressou da Hungria para a Ucrânia. 12 de março de 2026
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  • Mais de setenta milhões de euros em dinheiro e ouro do Oschadbank permanecem apreendidos na Hungria.
  • A operação de transporte, realizada em Viena e prevista como trânsito, terminou com a detenção da caravana pela unidade antiterrorista húngara na estrada entre a Ucrânia e a Hungria.
  • A equipa foi algemada, os membros separados e interrogados por mais de 24 horas, sem apoio consular ou advogado na fase inicial.
  • Houve relato de injecções médicas durante o interrogatório, seguidas de hospitalização e exame forense, com substituição de informações pelas autoridades húngaras.
  • O Banco Nacional da Ucrânia abriu auditoria internacional; o governo húngaro mantém o ouro e o dinheiro por até 60 dias enquanto prosseguem as investigações.

Ochoadbank: mais de 70 milhões de euros e ouro mantidos na Hungria após a apreensão de um carregamento de valores ucraniano. Funcionários do banco descreveram, pela primeira vez, como ocorreu a detenção pela polícia húngara e o subsequente interrogatório, em Budapeste.

De acordo com Hennadiy Kuznetsov, diretor técnico do Oschadbank, a viagem foi preparada para atravessar a Hungria apenas em trânsito, com a carga recolhida em Viena, a 5 de março. Os documentos internacionais foram emitidos e validados pela alfândega austríaca.

O transporte seguiu pela estrada circular de Budapeste, quando uma carrinha da polícia interrompeu a marcha e colocou-se diante da caravana, segundo Kuznetsov. Os veículos foram bloqueados por carros blindados da unidade antiterrorista, com sirenes ligadas.

Detenção e tratamento

A equipa foi impedida de abandonar os veículos, algemada e colocada em veículos separados. Os membros foram levados para o Centro Antiterrorista de Budapeste, onde permaneceram em salas diferentes por mais de 24 horas, conforme relatado.

Interrogatórios ocorreram sem a presença de intérprete ucraniano; apenas um tradutor russo esteve disponível. Kuznetsov afirmou que o consulado não disponibilizou apoio jurídico durante o período de detenção.

Ele também relatou que, durante o interrogatório, foram impostas condições consideradas coercitivas, incluindo uma intervenção médica obrigatória e a administração de injeções, seguida de reposição com soro no hospital. Os detalhes das substâncias não foram divulgados.

Situação atual do carregamento

Os 40 milhões de dólares, 35 milhões de euros e 9 quilos de ouro permanecem apreendidos na Hungria, com os veículos devolvidos à Ucrânia uma semana após o incidente. Os sistemas de video e localização tinham dados preservados, mas os discos rígidos foram removidos, segundo o Oschadbank.

O Banco Nacional da Ucrânia abriu uma auditoria internacional independente para verificar todo o processo de trânsito de divisas, envolvendo autoridades europeias e internacionais. O governo húngaro manteve o carregamento sob guarda, num banco ucraniano, por até 60 dias, sob investigação de branqueamento de capitais.

Contexto e próximos passos

Kuznetsov salientou que o grupo ucraniano tinha documentação completa e que não houve desvio de rota conforme o planeado. As autoridades húngaras indicaram que houve uma verificação prévia e aprovação do trânsito, com código de autorização, antes do incidente.

A imprensa ucraniana reporta que o incidente abriu espaço para controvérsia diplomática entre Kyiv e Budapeste, com chamadas à cooperação consular e suporte jurídico a cargo das autoridades competentes. O caso continua em investigação.

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