- O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, disse à Euronews que a UE não deve recorrer a combustíveis fósseis russos a baixo custo para enfrentar a crise energética e deve manter as sanções.
- Alega que a Rússia está a lucrar com o conflito no Médio Oriente e com os pontos mais altos dos preços de energia, beneficiando‑se da situação.
- O governo britânico autorizou, sem prazo, a importação de gasóleo e de combustível para aviação produzidos a partir de petróleo russo adquirido a preços baixos, através de terceiros como a Turquia e a Índia.
- Em relação às sanções, Dombrovskis rejeita o alívio e mantém a posição de afastar-se de Moscovo, lembrando que a Rússia já tentou usar o gás como ferramenta de pressão.
- A primeira ministra italiana, Giorgia Meloni, pediu à UE que trate a crise energética como uma emergência de defesa e flexibilize regras orçamentais, com a UE a estudar respostas políticas temporárias e direcionadas para ajudar Roma.
Valdis Dombrovskis, comissário europeu para a Economia, afirmou à Euronews que a UE não deve recair na utilização de gás e petróleo russos a baixo custo para enfrentar a crise energética. O posicionamento foi partilhado num registo onde reforça a continuidade das sanções contra Moscovo.
O comissário disse que a Rússia lucra com o conflito no Médio Oriente e com os preços elevados da energia, tornando inaceitável aliviar as sanções. A prioridade da UE, sublinhou, é manter distância de Moscovo e não facilitar a situação energética.
A notícia surge num momento em que o Reino Unido autorizou licenças de importação de gasóleo e combustível para aviação a partir de crude russo adquirido a preços baixos, com extensão de contratos de curto prazo para Sakhalin‑2 e Yamal LNG até 2027.
Enquanto Ucrânia e aliados ficaram surpreendidos com o passo britânico, o governo de Londres atrasou explicações, atribuindo o episódio a uma falha de comunicação, segundo avaliações de Downing Street.
Dombrovskis foi questionado sobre a possibilidade de afrouxar sanções para compensar famílias com faturas elevadas. O comissário rejeitou esse cenário, mencionando uma decisão estratégica de afastar-se de Moscovo.
O comissário recordou que, já em 2022, a Rússia usou o fornecimento de combustíveis fósseis como instrumento de chantagem, o que provocou elevados custos económicos para a UE, e afirmou que não faz sentido recuar.
Prevê-se que a economia europeia possa abrandar este ano, em meio à crise energética associada ao Médio Oriente, considerada a segunda maior nos últimos cinco anos após a invasão da Ucrânia.
Dombrovskis garantiu que não há risco de apagões na Europa, apesar das preocupações criadas pela instabilidade regional e pela procura crescente de energia na região.
Dilema de Roma
Na segunda-feira, a primeira‑ministra italiana Giogia Meloni pediu à UE que trate a crise energética como uma emergência de defesa, sugerindo flexibilizar regras orçamentais para enfrentar os custos.
Numa carta dirigida a Ursula von der Leyen, Meloni defende que a UE demonstre a mesma coragem política na área energética que tem mostrado na defesa, citando a Cláusula Nacional de Derrogação como justificativa.
Dombrovskis disse que a UE analisa opções de política para apoiar Roma, com caracter temporário e direcionado, e que a resposta dependerá das preocupações dos Estados‑Membros.
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