- Proposta de lei visa permitir que Donald J. Trump figure numa nota de 250 dólares, conforme reportado pelo Washington Post.
- Se aprovada, seria a primeira vez em cento e meio anos que a imagem de uma pessoa viva aparece numa moeda dos EUA.
- O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que não há impedimento ético em ter o presidente na nota e que o Tesouro cumprirá a lei.
- Funcionários do Bureau of Engraving and Printing alertaram para potenciais infrações de uma lei federal que proíbe a representação de presidentes vivos; a diretora da instituição, Patricia Solimene, terá sido transferida.
- O tema insere-se num contexto de críticas sobre culto à personalidade, com outras iniciativas ligadas a Trump em instituições culturais; democratas, incluindo o senador Mark Warner, criticaram a proposta.
O Departamento do Tesouro dos EUA está a avaliar a possibilidade de colocar a imagem de Donald J. Trump numa nota de 250 dólares, caso uma proposta legislativa seja aprovada. A notícia foi reportada pelo Washington Post, esta quinta-feira.
Segundo o jornal, a ideia já está a nascer no seio da Câmara dos Representantes e do Senado, com alterações ao requisito para que apenas pessoas vivas possam figurar na moeda. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que não vê oposição em ter o presidente numa nota comemorativa do 250.º aniversário dos EUA, caso a lei seja alterada.
Uma maquete obtida pelo Washington Post revela a inscrição 250.º aniversário da América, associando a peça à data de independência de 4 de julho de 1776. Dois nomeados por Trump no Tesouro teriam pressionado o Bureau of Engraving and Printing a criar protótipos desde o ano passado, segundo fontes anonimizadas.
Preocupações legais e desdobramentos
Funcionários do Bureau, sob condição de anonimato, referem preocupações de que a medida viole uma lei federal que impede a representação de presidentes vivos na moeda. O Tesouro confirmou que está a realizar planeamento e diligência, acrescentando que o tesoureiro Brandon Beach não solicitou a impressão da nota sem ação do Congresso.
A diretora do Bureau, Patricia Solimene, opôs-se à iniciativa, alertando para obstáculos legais e processuais. A sua exoneração, segundo as fontes, ocorreu de forma abrupta, após o episódio.
Contexto político e reação
A administração de Trump tem, de recente, promovido imagens dele em várias instâncias culturais e institucionais, o que tem gerado acusações de culto à personalidade. Entre as ações associadas, destaca-se uma moeda de ouro do semiquinquentenário já aprovada pela Comissão de Belas Artes, nomeada por Trump, e reformas de marca em espaços como o Centro John F. Kennedy e o Instituto da Paz.
Entre os críticos, o senador democrata Mark Warner sugeriu que a proposta para a nota de 250 dólares constitui uma tentativa de alimentar o ego do presidente e de politizar símbolos nacionais. A proposta apresentada no Congresso permanece sem decisão.
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