- A Hungria, sob o novo governo de Péter Magyar, sinaliza disponibilidade para permitir à União Europeia sancionar o patriarca Kirill e outras pessoas antes protegidas pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, num “mini pacote” de sanções.
- A UE tenta desde 2022 incluir Kirill na lista negra por apoiar a invasão da Ucrânia; Orbán bloqueava a medida, alegando liberdade religiosa, e agora o governo húngaro pode permitir o avanço.
- Além de Kirill, nomes de russos já sancionados podem regressar à lista, se assim o decidirem as negociações, incluindo Mikhail Degtyaryov e Viatcheslav Kantor.
- A proposta também visa navios da chamada “frota sombra” da Rússia, buscando ações contínuas contra embarcações suspeitas de contornar sanções.
- Embaixadores discutem a proposta nesta sexta-feira, com o objetivo de a adoptar no Conselho dos Negócios Estrangeiros de 15 de junho; o 21.º pacote de sanções deverá ser apresentado em junho e votado até 15 de julho.
A Hungria sinaliza que pode permitir à União Europeia sancionar o patriarca Kirill, chefe da Igreja Ortodoxa russa, e outras pessoas que estiveram protegidas pelo antigo governo de Viktor Orbán. A medida insere-se num “mini pacote” de sanções já em preparação junto dos embaixadores da UE.
Segundo fontes, o novo governo húngaro, liderado por Péter Magyar, está aberto a discutir a inclusão de Kirill na lista negra. A iniciativa visa reforçar a pressão sobre a Rússia sem comprometer a estabilidade económica da Hungria, afirmam aliados de Magyar.
A discussão ocorre numa altura em que Bruxelas tenta avançar com ações contra indivíduos próximos do Kremlin, após o veto de Orbán em anteriores fases. A UE espera que o novo governo permita a decisão, afastando o uso público do poder de veto.
Entre os nomes que poderão voltar a ser avaliados estão antigos sancionados pela Hungria, como o ministro do Desporto Mikhail Degtyaryov e o oligarca Viatcheslav Kantor. A possibilidade de reinclusão depende da unanimidade entre os Estados-membros.
Paralelamente, a UE prepara ações restritivas contra a chamada “frota sombra” russa, associada ao transporte de petróleo e a práticas consideradas evasivas. Diversos países já têm aumentado o escrutínio sobre navios suspeitos.
A ideia é incluir, de forma contínua, navios e indivíduos de forma seletiva, em vez de lançar um grande pacote. A alta representante da UE, Kaja Kallas, enfatizou um monitoramento permanente e ações rápidas quando se identifiquem alvos.
As embaixadas devem discutir a proposta já esta sexta-feira, com o objetivo de alcançar aprovação no Conselho dos Negócios Estrangeiros a 15 de junho. O 21.º pacote de sanções econômicas pode chegar a junho, com prazo de implementação até 15 de julho.
No contexto financeiro, o bloco pondera ainda uma revisão do período de renovação das sanções, passando de seis meses para um ano. O primeiro-ministro húngaro mantém reservas a esse ajuste, para preservar a capacidade de veto nacional.
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