- Astrónomos identificaram 27 “planetas candidatos” em órbita de sistemas estelares binários ao analisar variações minuciosas no momento de eclipses entre as duas estrelas, usando o método da precessão apsidal e dados do telescópio espacial TESS.
- O estudo, liderado pela doutoranda Margo Thornton, foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astrical Society.
- Foram examinados 1 590 sistemas binários eclipsantes; em setenta e um houve alterações orbitais não explicáveis por efeitos conhecidos.
- Em 27 dos casos, a explicação mais provável é a presença de um objeto de dimensão semelhante à de um planeta orbitando o sistema.
- Esta abordagem pode revelar mais planetas circumbinários que não seriam encontrados com métodos tradicionais, ajudando a entender formação e evolução desses sistemas.
Uma equipa de astrónomos identificou 27 potenciais planetas em órbita de sistemas estelares binários, utilizando um método inovador de deteção. A análise baseia-se em variações de tempo entre eclipses das duas estrelas, não no trânsito do planeta frente à estrela.
As variações são muito pequenas, mas podem sinalizar a influência gravitacional de um planeta invisível que orbita o binário. O estudo foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e liderado por Margo Thornton.
A pesquisa recorre a dados do satélite NASA TESS, em que se acompanha a precessão apsidal, uma rotação gradual da órbita do sistema binário ao longo do tempo. Assim, consegue-se identificar companheiros planetários sem observar os planetas diretamente.
Foram analisados 1 590 sistemas binários eclipsantes. Em 71 deles surgiram sinais de alterações orbitais não explicadas por efeitos conhecidos. Em 36 casos o fenómeno parecia ter outra origem.
Entre os 36 casos, 27 apresentam a explicação mais provável na presença de objetos de dimensão planetária. Alguns orbitam estrelas grandes e quentes, onde a deteção tradicional é mais difícil.
Até ao momento, apenas cerca de 18 planetas circumbinários tinham sido confirmados, o que torna esta descoberta particularmente relevante pela possibilidade de ampliar o conjunto de exemplos observáveis.
Metodologia e impacto
A abordagem permite testar teorias de formação e migração de planetas em sistemas com duas estrelas, oferecendo uma visão mais ampla da sua evolução a longo prazo. Os autores destacam o potencial de explorar mais binários eclipsantes.
Os investigadores sublinham que a amostra analisada representa uma fracção dos 2 milhões de binários eclipsantes catalogados pelo Gaia e que a expansão do estudo pode revelar muitos mais sistemas no futuro.
Perspectivas futuras
Os autores indicam que alargar a pesquisa a todo o conjunto de dados disponíveis e combinar com séries temporais adicionais do TESS poderá ampliar significativamente o número de detecções, contribuindo para uma compreensão mais robusta da formação de planetas circumbinários.
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