- A UE aceita abrir um “diálogo digital” com os EUA, mas não está disposta a eliminar as suas leis tecnológicas; mantém-se o endurecimento das tarifas sobre aço e alumínio europeus.
- O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, disse à Euronews que o diálogo visa criar um fórum sobre legislação digital, sem reabrir as leis-chave.
- Washington tem pressionado a UE a alterar ou eliminar regras como a Lei dos Serviços Digitais e a Lei dos Mercados Digitais, vendo-as como discrimatórias.
- As tarifas norte‑americnas de 50 por cento sobre aço e alumínio mantêm-se desde junho de dois mil e vinte e cinco, como condição para facilitar uma eventual redução de direitos aduaneiros.
- Šefčovič alertou para a sobrecapacidade global no setor, especialmente na China, e sugeriu medidas como o “anel do aço” para direcionar o comércio, mantendo o foco na cooperação entre as duas partes.
A UE está disposta a abrir um diálogo digital com os EUA, mas não abdica das suas regras. O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, revelou à Euronews, após regressar de Washington, que Bruxelas quer criar um novo fórum sobre legislação digital. As tarifas sobre aço e alumínio mantêm-se.
Šefčovič explicou que a Comissão Europeia não cede em nada relativo à legislação, mas aceita conversar sobre o tema. Os dois lados veem o diálogo digital como instrumento para tratar conteúdos ilícitos e concorrência leal, sem reabrir leis já existentes.
Washington tem pressionado Bruxelas para flexibilizar as regras digitais, consideradas discriminatórias para empresas norte‑americanas. As taxas de 50% sobre aço e alumínio permanecem desde junho de 2025, apesar de um acordo comercial amplo ter sido alcançado no verão passado, com exceções.
Tarifas sobre aço e alumínio
No balanço da visita a Washington, Šefčovič destacou que o acordo de 2024 não incluiu o setor do aço e do alumínio, que continua sob as medidas punitivas. A UE defende uma solução que não comprometa a concorrência nem o consumo interno.
O comissário reiterou a cada passo o esforço de cooperação entre as partes. Além da regulação digital, Washington e Bruxelas trabalham em matéria de minerais críticos, com tentativas de evitar impactos no comércio bilateral de aço.
Sobrecapacidade chinesa
Šefčovič alertou para a persistente sobrecapacidade mundial de aço e alumínio, apontando números alarmantes. A China permanece como principal fonte de excedentes, influenciando políticas externas de ambos os blocos.
A ideia do “anel do aço” foi re-put em discussão durante a visita, como forma de gerir fluxos globais ante a sobrecapacidade. A posição da UE é de cooperação para reduzir distorções no comércio.
Observações finais
O comissário assinalou que as relações UE-EUA passam por várias frentes, com foco em cooperação prática. A administração norte‑americana parece favorecer contactos diretos sem uma estrutura formal para litígios. A UE mantém o compromisso de diálogo construtivo.
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