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Ucrânia sugere chamar Donnyland ao Donbass para atrair interesse de Trump

Ucrânia propõe Donnyland no Donbass como zona desmilitarizada para atrair Trump e dinamizar negociações com Washington

Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia, e Donald Trump, chefe de Estado norte-americano, num encontro em Janeiro, à margem do Fórum Económico de Davos, na Suíça
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  • A Ucrânia sugeriu chamar Donnyland a um território no oblast de Donetsk, no Donbass, para atrair o interesse de Donald Trump e explorar uma possível zona desmilitarizada ou de livre comércio.
  • A área em questão tem cerca de cinco vírgula dois quilómetros quadrados e fica perto da linha de frente, com aproximadamente 190 mil habitantes.
  • A designação surgiu num negociador ucraniano, repetida nas conversas com responsáveis norte-americanos, segundo fontes anónimas ao New York Times.
  • Kiev propôs que a zona seja administrada por uma autoridade neutral, com participação de russos e ucranianos, garantindo que a Rússia não reivindique soberania no futuro; o Kremlin exige patrulha mista com polícias e soldados russos, condição rejeitada pela Ucrânia.
  • O impasse persiste: desde o encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump, Washington tem mostrado abertura a cenários que envolvam cedência de território em troca do fim das hostilidades, posição rejeitada por Zelensky e pelos seus aliados europeus.

O território do Donbass, na região de Donetsk, pode tornar-se uma zona desmilitarizada. A hipótese foi sugerida por responsáveis ucranianos nas negociações com os EUA, segundo o New York Times. A ideia visa atrair o interesse de Donald Trump, para que o processo de paz ganhe peso junto do ex-presidente.

Segundo o jornal, a designação Donnyland surgiu num tom irónico durante conversas com responsáveis norte-americanos. Quatro fontes anónimas confirmaram o uso da expressão, que remete ao nome de Trump, em discussões sobre a solução para a guerra na Ucrânia.

A área em consideração tem cerca de 5,2 quilómetros quadrados, fica junto à linha de frente e abriga perto de 190 mil habitantes, de acordo com as autoridades ucranianas. A proposta inclui possível participação do Conselho da Paz na administração da zona.

Impasse e posições

O tema surge num contexto de dificuldades nas negociações entre Kiev e Washington. Desde o encontro entre Trump e Vladimir Putin no Alasca, o governo norte-americano mostrou abertura a cenários em que a Ucrânia cede parte do território para encerrar as hostilidades, conforme reporta o NYT.

Ucrânia, liderada por Volodymyr Zelensky, e aliados europeus rejeitam a ideia de premiar a Rússia com a legalização de conquistas territoriais. Zelensky considera a retirada de território como capitulação e alerta para sérios riscos estratégicos.

A Ucrânia tem reservas sobre a viabilidade de uma zona desmilitarizada sob controle parcial de autoridades russas. O Kremlin exigiu patrulhamento pela polícia e tropas russas, condição que a Ucrânia não aceita.

Mesmo com o impasse, Kiev manteve a abertura para explorar propostas de paz apresentadas ao final do último ano, incluindo um plano de 20 pontos. O plano prevê uma gestão neutral da área e salvaguardas para impedir uma futura soberania russa sobre a região.

Este cenário decorre num momento em que Washington e Moscovo continuam sem acordo claro sobre a retirada ou cessação de hostilidades. O foco internacional permanece na possibilidade de um acordo que contorne a violência no Donbass e preserve a integridade territorial da Ucrânia.

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