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46 dias com hospitais fechados: médicos resistem aos bombardeamentos no Líbano

Médicos permanecem 46 dias nos hospitais do sul do Líbano, diante de bombardeamentos e de um fluxo diário de feridos e mortos, agravando o sistema de saúde

Médicos no Líbano recebem fluxo diário de feridos e mortos
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  • Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), médicos e profissionais de saúde permaneceram 46 dias consecutivos dentro dos hospitais no sul do Líbano, durante a escalada do conflito com Israel, para manter serviços essenciais.
  • Em Nabatiyeh, milhares de pessoas foram deslocadas à força, mas muitas famílias ficaram e as equipas mantiveram funcionamento dos serviços, abrigo incluído dentro dos hospitais.
  • As equipas lidaram com um fluxo quase diário de feridos e mortos, com hospitais a receber pacientes gravemente feridos, incluindo crianças, e a enfrentar limitações de deslocação pela cidade devido aos ataques.
  • Hospitais apoiados pela MSF em Sour e Nabatiyeh sofreram danos, com equipamentos danificados e janelas partidas por explosões.
  • A Organização Mundial de Saúde (OMS) registou ataques quase diários aos serviços de saúde – 147 no total até ao cessar-fogo de dez dias – com mais de 100 mortos, 233 profissionais de saúde feridos e pelo menos seis hospitais encerrados.

Os médicos e profissionais de saúde no sul do Líbano estiveram 46 dias seguidos dentro de hospitais durante a recente escalada do conflito com Israel, segundo a organização MSF. A permanência visa manter serviços essenciais em meio aos bombardeamentos.

Em Nabatiyeh, milhares de pessoas foram desplazadas pelas ações militares e ordens de evacuação. Mesmo assim, muitas famílias ficaram e as equipas médicas permaneceram nos postos para assegurar atendimento contínuo aos pacientes.

Segundo a MSF, as equipas trabalharam sem interrupção para responder a um fluxo diário de feridos e mortos que chegavam aos hospitais. Entre os feridos estavam várias crianças com ferimentos graves, incluindo hemorragias e mutilações traumáticas.

No Hospital Governamental de Nabatiyeh, cerca de 42 famílias, entre profissionais de saúde e familiares, abrigaram-se na unidade. A poucos quilómetros, a equipa do Hospital Najdeh Chaabiye também se manteve no local, dada a perigosidade das deslocações pela cidade.

Tania Hachem, responsável pelo programa médico da MSF, afirma que os profissionais dormiram dentro dos hospitais durante 46 dias. Alguns não puderam visitar as famílias; outros traziam-nas para perto de si no hospital.

Contexto do conflito e impacto no sistema de saúde

O envolvimento do Líbano agravou-se com a incursão israelita e o lançamento de rockets rumo a Israel, a partir de 28 de fevereiro e 2 de março. O território libanês ficou sob controlo de uma faixa de aproximadamente 10 km junto à fronteira.

A OMS regista ataques diários aos serviços de saúde, com 147 ocorrências até ao cessar-fogo de 10 dias. Foram reportados mais de 100 mortos e 233 profissionais de saúde feridos, incluindo ataques repetidos nos mesmos locais.

Pelo menos seis hospitais ficaram obrigados a encerrar atividades. Os hospitais apoiados pela MSF em Sour e Nabatiyeh sofreram danos com bombardeamentos aéreos.

Em Sour, o Hospital Hiram registou ferimentos por estilhaços; o Hospital Libanês-Italiano teve equipamentos danificados, incluindo máquinas de hemodiálise; e o Hospital Jebel Amel fortificou janelas após explosões.

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