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Montenegro atribui défice inicial do ano a várias contingências

Defice de 0,7% do PIB no 1.º trimestre deve-se a contingências, tempestades e ao impacto do conflito no Médio Oriente, com medidas de apoio que elevam custos

Montenegro apostou num tom de otimismo que se poderá chegar ao fim do ano com as contas públicas equilibradas
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  • O défice orçamental de 0,7% do PIB no primeiro trimestre de 2026 ficou associado a várias contingências, entre elas tempestades, o conflito no Médio Oriente, o aumento do preço dos combustíveis e o bloqueio no estreito de Ormuz.
  • O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, disse aos jornalistas, em Nova Iorque, que, se olha para os últimos doze meses, o saldo seria positivo, mas aquele trimestre teve contigências relevantes.
  • O Governo recorreu a moratórias e a apoios adicionais, incluindo desconto no imposto sobre os produtos petrolíferos por via do IVA, para atenuar o impacto do aumento de preços.
  • O Instituto Nacional de Estatística (INE) explicou que houve ajuste de receitas devido a medidas de pagamento fracionado de impostos e ao diferimento de pagamento de impostos no âmbito das zonas de calamidade.
  • Entre final de janeiro e início de março, Portugal foi atingido pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta, com danos superiores a cinco mil milhões de euros; Montenegro afirmou que ainda é possível fechar o ano com contas públicas equilibradas ou num saldo positivo.

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou, em Nova Iorque, que o défice orçamental de Portugal no primeiro trimestre de 2026 chegou a 0,7% do PIB. A leitura, feita a partir dos dados do INE, atribui o resultado a múltiplas contingências de curto prazo.

Montenegro explicou que, se se olhasse para os últimos 12 meses, o saldo seria positivo, mas o trimestre em curso acumulou várias adversidades. Entre elas, as tempestades que atingiram o país e a evolução da realidade no Médio Oriente, que influenciou o preço dos combustíveis e, por consequência, de muitos bens, especialmente alimentares.

O chefe do Governo reuniu-se na Missão Permanente de Portugal na ONU, antes de comentar aos jornalistas os números do INE. O ministro salientou ainda que foram necessárias moratórias a empresas e famílias, bem como apoios adicionais com desvalorização parcial de imposto sobre produtos petrolíferos para atenuar o impacto.

Contexto e medidas de resposta

Comparando com o primeiro trimestre de 2025, verificou-se uma deterioração do saldo de contas públicas. A diferença entre controlo orçamental e contabilidade nacional passou de equilíbrio para défice. O INE aponta para ajustes na receita de impostos com pagamento fracionado no IVA, bem como o diferimento de impostos nas zonas afetadas pela calamidade.

Entre o final de janeiro e início de março, Portugal foi atingido pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta. O fenómeno meteorológico causou mortes, centenas de feridos, desalojados e prejuízos materiais significativos em diversas regiões.

Os temporais causaram destruição de habitações, empresas e infraestruturas, interrompendo energia, água e comunicações. Os prejuízos totais ultrapassaram os cinco mil milhões de euros, segundo as avaliações preliminares.

Apesar do défice apurado, Montenegro advertiu que o país ainda pode fechar o ano com as contas públicas equilibradas. Em Nova Iorque, reforçou a ideia de que o objetivo é chegar a um saldo positivo, ou pelo menos estável, no final do exercício.

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