- O historiador económico Nuno Palma lançou um novo livro no qual sustenta que os fundos da União Europeia deixaram de servir para construir infraestruturas e passaram a financiar despesas correntes do governo.
- Palma afirma que a política de coesão europeia cria dependências, desincentiva reformas e empurra o país para uma situação de estagnação económica, caracterizada pela “maldição dos recursos”.
- O livro comenta o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), defendendo que o objetivo era tornar o país resiliente, não promover uma transformação profunda da economia, o que implicaria um crescimento significativamente superior.
- A obra sustenta que a má utilização dos fundos é estrutural, não conjuntural, e que a prioridade tem sido gastar e executar, sem que isso leve a melhorias substanciais.
- A divulgação do livro provoca debates sobre evidências e dados: a narrativa ressalta a necessidade de um confronto baseado em factos para justificar políticas públicas, evitando negacionismos ou atitudes morais.
O historiador económico Nuno Palma lançou recentemente um novo livro que questiona o uso dos fundos europeus. O autor argumenta que as verbas passam a financiar despesas correntes dos governos, em vez de promover transformações estruturais. O livro chega num momento de intenso debate sobre a coesão na Europa.
A obra sustenta que a política de coesão, em vez de aproximar os países, cria dependências e incentivos distorcidos. Palma afirma ainda que o acesso fácil a dinheiro pode corromper elites, reduzir o controlo público e favorecer setores protegidos com menor valor económico.
O autor recorre ao PRR, o Plano de Recuperação e Resiliência, para ilustrar a prática apontada. Segundo ele, o objetivo não era transformar o país, mas manter o status quo, com melhorias estimadas a resultar principalmente em regressar a um ritmo de crescimento já mediano.
Além de analisar o impacto europeu, Palma sustenta que a má utilização dos fundos é estrutural, não conjuntural. O livro aponta exemplos de gastos com fundos que não conduzem a ganhos reais de eficiência ou competitividade.
As reações ao livro já suscitaram controvérsia. Palma desafia a negar a evidência sem apresentar dados, história e argumentos consistentes. O historiador tem o reconhecimento académico, sendo citado pela Academia Sueca no contexto de um Prémio Nobel.
O debate gerado pelo trabalho levanta questões sobre investimento público, qualidade da execução e maturidade política. Entre os temas apontados estão o nível de investimento, a reprodução da riqueza e a possibilidade de convergência com a Europa, segundo o livro.
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