- A Reserva Federal manteve as taxas de juro na primeira reunião sob a liderança de Kevin Warsh, com nove dirigentes a prever pelo menos uma subida este ano.
- O comunicado foi encurtado e já não indicou um próximo passo de corte de juros; alguns membros sinalizam duas ou mais subidas este ano.
- O grupo de decisores está dividido: oito debatem manter as taxas inalteradas em 2023, enquanto um prevê corte. Warsh não apresentou projeção de taxas.
- Warsh afirmou que está a criar cinco grupos de trabalho para melhorar comunicação, uso de dados e modelos de inflação, com foco na estabilidade de preços.
- A inflação permanece elevada, acima da meta de dois por cento, e o mercado reagiu com queda do S&P 500 após a divulgação das projeções.
A Reserva Federal manteve as taxas de juro na primeira reunião sob a liderança de Kevin Warsh. Quase metade dos então responsáveis admite já considerar uma subida ainda este ano, devido à inflação elevada. O banco central também retirou do comunicado a indicação de um próximo corte.
O comunicado foi breve, refletindo, segundo analistas, a influência de Warsh, nomeado por Donald Trump. Diversos dirigentes sinalizaram a possibilidade de subidas de duas ou mais vezes em 2026, numa viragem face a março, quando ninguém previa aumentos.
Ao mesmo tempo, oito decisores defenderam manter as taxas inalteradas este ano, enquanto um previu uma redução. Warsh não apresentou projeções próprias, tendo dito aos jornalistas que está a incentivá-las, porém criticou o risco de rigidez excessiva na política monetária.
Reformulação do rumo da política
A Fed retirou do comunicado o forward guidance, ou seja, indicações sobre o rumo futuro da política. Warsh afirmou que está a formar cinco grupos de trabalho para rever comunicação, fontes de dados e modelos de avaliação da inflação, com o objetivo de manter uma visão clara para o futuro.
A reunião marcou a estreia de Warsh na presidência, após críticas ao antecessor. Powell votou, mantendo as taxas em cerca de 3,6%. A escolha de Warsh coloca a instituição numa linha menos previsível quanto a novas subidas, num momento de inflação persistente.
Perspectivas económicas e mercado
A inflação está no nível mais elevado dos últimos três anos, mesmo antes de a guerra no Irão. Analistas afirmam que custos de financiamento mais altos poderão ser necessários se as pressões continuarem.
No radar do mercado, o S&P 500 caiu 1,4% após as informações sobre as projeções da Fed. Trabalhadores continuam a criar empregos fortes, o que complica a decisão de cortes. Em maio, o país adicionou 172 mil empregos, o terceiro mês de ganhos vigorosos.
Stuart Clark, da Quilter, destacou que a inflação não deverá ceder rapidamente sem pressão sobre a energia. Referiu ainda que é possível a Fed já ter aumentado as taxas até ao final do ano, dependendo dos dados.
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