- A OCDE alerta para excesso de capacidade de aço a subir de 640 milhões de toneladas em 2025 para 745 milhões até 2028, com a produção a crescer muito mais depressa do que a procura.
- Subvenções estatais, especialmente na China, são apontadas como motor principal do desequilíbrio, pressionando produtores na Europa e noutras economias da OCDE.
- Em 2025, a China exportou 131 milhões de toneladas de aço, recorde, mais 153% face a 2020.
- A China pode acrescentar até 38,6 milhões de toneladas de capacidade até 2028, o que pode levar o excesso mundial a ficar quase 320 milhões de toneladas acima da atual produção da OCDE.
- Custos de energia, que podem representar até 40% dos custos de produção, juntamente com restrições de matérias-primas e exportações de sucata de aço, aumentam a pressão sobre a Europa.
A OCDE alerta para uma crise global no setor do aço, agravada por produção apoiada pelo Estado e excesso de capacidade de instalação. A normalização de subsídios e o rápido crescimento da capacidade distorcem mercados, principalmente com a China a aumentar a pressão sobre a Europa e outras economias OCDE.
Dados da OCDE indicam que a capacidade siderúrgica mundial continua a crescer enquanto a procura permanece fraca, o que pode derrubar preços e distorcer a concorrência. O aço continua a ser essencial para construção, indústria, transporte e tecnologia.
A OCDE aponta que subsídios públicos são motores-chave do excesso de capacidade, com grande parte do aumento fora da OCDE. Em 2024, a siderúrgia chinesa mediana recebeu subsídios até 15 vezes maiores que produtores de outras regiões, em relação aos ativos.
A China exportou um recorde de 131 milhões de toneladas de aço em 2025, 153% acima de 2020, superando a produção anual total de aço da União Europeia nesse ano. A organização projeta aumento de capacidade mundial para 745 milhões de toneladas até 2028.
Se avançarem os planos, a China liderará o crescimento com até 38,6 milhões de toneladas adicionais até 2028, o que pode deixar o excesso de capacidade próximo de 320 milhões de toneladas acima da produção anual da OCDE.
Responsáveis políticos temem que o excesso persistente comprometa a rentabilidade e a viabilidade das indústrias nacionais, elevando a dependência de importações de um material estratégico para setores como construção, defesa e energia.
Durante o Conselho Ministerial, o secretário-geral Mathias Cormann pediu enfrentar causas profundas, incluindo subsídios nocivos e distorções de mercado, com cooperação internacional e condições de concorrência equitativas.
Há indícios de que alguns exportadores contornam barreiras comerciais ao enviar aço semiacabado para o Sudeste Asiático, para depois reexportar para mercados da OCDE, com um aumento de 300% nas exportações chinesas para a região. O objetivo seria evitar tarifas e medidas anti-dumping.
Custos de energia e tensões comerciais agravam a pressão. A guerra no Irão eleva o custo energético, que pode representar até 40% dos custos de produção de aço, tornando o setor mais vulnerável a preços elevados.
A pressão sobre o aprovisionamento de matérias-primas também cresce. Nenhum país produtor é totalmente autossuficiente em insumos, e restrições de exportação aumentam globalmente. Atualmente, 42 países limitam a exportação de sucata de aço, fundamental para fornos de arco elétrico.
A Europa fica particularmente exposta, com custos laborais e energéticos mais altos, e normas ambientais mais rígidas que muitos concorrentes. Consequentemente, margens dos produtores europeus costumam ser menores em cenários de preços baixos.
Se as tendências se mantiverem, a OCDE afirma que a viabilidade de longo prazo do setor e a segurança econômica de muitos países ficam em risco, exigindo respostas coordenadas para evitar distorções de mercado.
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