- Putin foi avisado por altos funcionários das Finanças e do banco central de que os gastos com a guerra na Ucrânia estão numa trajetória insustentável, com risco de aumentar o défice orçamental.
- O Presidente pediu ao Ministério das Finanças que identificasse cortes noutras áreas do orçamento, antes de se considerar o financiamento adicional exigido pelo Ministério da Defesa.
- O Ministério da Defesa tem pressionado para obter mais dinheiro, argumentando que muitos contratos militares protegem empregos e produção.
- A economia russa aproxima-se de recessão, com o PIB previsto para crescer apenas 0,4% em 2026 e o défice a superar os objetivos oficiais nos primeiros meses do ano.
- O défice de quatro meses relativamente aos recursos previstos é de cerca de 2,5% do PIB, apesar de aumentos de receitas petrolíferas, e o governo pondera novos aumentos de impostos para cobrir o défice.
Vladimir Putin foi informado por altas autoridades do Ministério das Finanças e do banco central de que os gastos com a guerra na Ucrânia são insustentáveis. A notícia foi divulgada pela Bloomberg News, com base em documentos analisados e fontes próximas do assunto.
Segundo as informações, o Kremlin ficou a saber que o atual nível de despesas de defesa pode alargar o défice orçamental, levando a novos cortes noutras áreas do orçamento.
Para evitar esse cenário, o Presidente pediu que sejam identificados cortes em rubricas fora da defesa, antes de qualquer redução nesta área.
Defesa vs Orçamento
Diversos decisores políticos discutiram manter o domínio das despesas militares, defendendo que muitos processos industriais dependem de contratos de defesa para manter empregos. O Ministério da Defesa, por outro lado, exige financiamento adicional.
Putin está a par, segundo a Bloomberg, das pressões orçamentais dos últimos anos, cabendo-lhe decidir o tamanho de eventuais cortes. O Kremlin não comentou o assunto, e o Ministério da Defesa não se pronunciou oficialmente.
Perspetivas económicas
Apesar do aumento pontual das receitas petrolíferas, a Rússia enfrenta uma trajetória de recessão. O governo prevê um crescimento de 0,4% em 2026, abaixo da previsão anterior de 1,3%. A economia contraiu no primeiro trimestre, pela primeira vez em três anos.
A organização económica indica que o défice nos primeiros quatro meses do ano atingiu 2,5% do PIB, cerca de 50% acima do previsto. Sanções internacionais mantêm-se e o governo avalia novos aumentos de impostos.
Contexto financeiro e desfechos
A indústria de defesa, ainda que demande apoio, deverá expandir entre 4% e 5% em 2026, mantendo-se acima de um terço de crescimento recente. A perspetiva de crescimento está ligada à evolução das condições externas e à política fiscal interna.
Parlamentares já manifestaram preocupação com a escalada orçamental e a possibilidade de medidas para evitar um novo choque fiscal. O debate continua a influenciar as medidas orçamentais previstas para o próximo ano fiscal.
Fonte: Bloomberg News.
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