- Quase 7% dos anúncios de emprego publicados pelas quatro maiores empresas de auditoria em 2025 procuravam especialistas em inteligência artificial, quase o triplo do que em 2022.
- A análise do Financial Times abrangeu anúncios na comunidade de língua inglesa em Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda.
- A KPMG teve a maior fatia, com 9,6% dos anúncios direcionados a IA; a PwC seguiu com 6,8%, Deloitte com 6,6% e EY com 3,2%.
- Os anúncios de IA procuravam sobretudo engenheiros de IA generativa e de aprendizagem automática, além de competências em automatização de tarefas e, em alguns casos, capacidades sociais para promover a IA junto de clientes.
- Em contrapartida, a procura por auditores diminuiu, com menos de 3% dos anúncios de 2025 para cargos de auditoria, abaixo de 5% antes do ChatGPT, num contexto de adoção crescente de IA.
- Em Portugal, 56,7% dos trabalhadores entrevistados pelo INE já usam IA no trabalho ou pessoalmente, e apenas 18% temem que isso afete o emprego.
A indústria da auditoria vive uma mudança de prioridade. Em 2025, quase 7% dos anúncios das quatro maiores firmas — Deloitte, EY, KPMG e PwC — procuraram especialistas em inteligência artificial, mais do que anúncios para auditores. O aumento ocorreu em países de língua inglesa.
Segundo o Financial Times, a análise abrangeu mais de 50 mil anúncios nos EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda. O objetivo é reforçar equipas com IA para apoiar processos de auditoria, controlo de risco e automação.
Entre as firmas, a variação foi acentuada. A KPMG teve 9,6% dos anúncios direcionados a IA, a PwC 6,8%, a Deloitte 6,6% e a EY 3,2%. A KPMG confirmou que está a contratar e a desenvolver fluência em IA, defendendo a importância da IA fiável no processo de auditoria.
Perfil dos candidatos e requisitos
Os anúncios procuraram sobretudo técnicos de IA gerativa e de machine learning, bem como especialistas em usar agentes de IA para automatizar tarefas. Cerca de 80% exigiam conhecimentos de linguagens de programação, face a 60% em 2021.
Alguns anúncios referem competências sociais, como promover a IA junto de clientes ou apoiar a adoção por parte dos trabalhadores. Um exemplo procurava um gestor para criar comandos de chatbots para automatizar tarefas com IA; outro exigia ajuda a clientes na adoção de IA generativa em declarações fiscais.
Impacto no recrutamento de auditores
Em contraste, a procura por auditores diminui, com a IA a reduzir a entrada de novos trabalhadores para cargos de início de carreira. Em 2025, menos de 3% dos anúncios eram para auditoria, abaixo de mais de 5% registados antes do ChatGPT.
O fenómeno ocorre numa altura de cortes de pessoal em grandes empresas, onde a IA passa a desempenhar mais funções, limitando a contratação para funções menos especializadas. O setor tecnológico tem sido particularmente afetado por estas dinâmicas.
Contexto nacional
Em Portugal, o INE indica que 56,7% dos empregados utiliza IA no trabalho ou para fins pessoais. A maioria considera melhoria na eficiência e qualidade, mas apenas 18% teme impacto negativo no emprego com a adoção continuada da tecnologia.
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