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China assume liderança na indústria automóvel global

China assume o comando da indústria automóvel global, com fábricas digitais, alta automação e parcerias estratégicas que abalam o modelo ocidental

O centro de desenvolvimento e de testes de segurança da Geely é o maior e mais sofisticado do mundo. Um sinal claro de como a indústria automóvel chinesa está a ultrapassar a concorrência ocidental
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  • A China assume o centro da indústria automóvel global, com avanços produtivos e tecnológicos que colocam a concorrência ocidental numa posição de defesa.
  • Em Ningbo, a fábrica inteligente da Zeekr ocupa 7,87 km², com quase 900 robôs na soldagem e produção por encomenda (C2M), permitindo grandes peças num único processo.
  • O Geely Auto Safety Centre, em Ningbo (inaugurado a 12 de dezembro de 2025), é o maior centro de testes de segurança automóvel do mundo, com mais de dois mil milhões de renminbi investidos; em 2025 o Geely Auto Group vendeu mais de três milhões de veículos, incluindo 1,7 milhão de NEV.
  • A China lidera a era da IA 2.0 na indústria, com o Xingrui AI Large Model da Geely e o Centro de Computação Geely Xingrui (23,5 EFLOPS); o EVA Cab, protótipo de robotáxi, usa LiDAR de 2160 linhas e hardware avançado para condução autónoma segura.
  • A ambição vai além do asfalto: Aridge cria a primeira fábrica de carros voadores em Cantão, enquanto a Xiaomi produz em Pequim com 150 mil unidades/ano, recorrendo a prensagem hypercast e automação de alto nível; o setor segue a via de alianças estratégicas globais (Renault-Horse, Stellantis com Leapmotor, VW com Xpeng, Audi com SAIC, Geely com Mercedes).

A indústria automóvel mundial está a sofrer uma mudança de centro de gravidade, com a China a consolidar a sua liderança através de investimento maciço em infraestrutura, automação e tecnologia. Em 2026, Pequim já não é apenas um palco de demonstração, mas uma base de produção integrada que rivaliza com os tradicionais polos europeus e norte-americanos.

A presença chinesa é visível em várias frentes, desde grandes fábricas até centros de investigação e desenvolvimento. A produção local não se limita a aumentar em volume, expandindo-se também em qualidade e sofisticação tecnológica, com estruturas que combinam 5G privado, inteligência artificial e automação de alto nível.

O auge tecnológico em Ningbo

Na região da delta do Yangtze, Ningbo destaca-se pela fábrica inteligente da Zeekr. A unidade ocupa quase 8 km² e funciona como um ecossistema de produção avançada, com robótica, moldes de alta capacidade e um sistema de fabrico por encomenda que permite múltiplas configurações de modelos, como o Zeekr 001 e o 009. A planta utiliza máquinas de fundição de alta tonelagem para peças estruturais do chassis em uma única peça, reduzindo peso e aumentando rigidez.

Além da produção, a fábrica aproxima-se de um conceito de “fábrica do futuro” com redes 5G privadas e um cérebro digital que coordena operações de estampagem, soldadura e montagem. A relação entre robôs e trabalhadores é de aproximadamente 9 para 1, evidenciando o elevado grau de automação.

Segurança, qualidade e credenciais internacionais

A China aposta ainda na segurança como vantagem competitiva. A Geely, que adquiriu a Volvo em 2010, beneficia do know-how sueco em segurança veicular. Em Ningbo, o Geely Auto Safety Centre inaugurado em 2025 consolidou-se como o maior centro de testes do mundo, com um investimento de cerca de 260 milhões de euros. O espaço cobre colisões, proteção de peões, segurança de baterias e também testes de cibersegurança para chips e firmware.

O centro detém vários recordes mundiais do Guinness, incluindo o maior laboratório de segurança automóvel e a maior pista de testes de colisões com ângulos variáveis. Em termos de produção, o grupo Geely registou em 2025 vendas superiores a 3 milhões de unidades, com NEV a representar 1,7 milhão de unidades e um crescimento de 90% em relação ao ano anterior.

IA de ponta e condução autónoma

A Geely lidera ainda o desenvolvimento de IA para automóveis, com o Xingrui AI Large Model, o primeiro sistema de IA de cenário completo para o setor automóvel. O Geely Xingrui Intelligent Computing Center tem uma capacidade de computação de 23,5 EFLOPS, a mais elevada entre os fabricantes chineses.

No Salão de Pequim de 2026, a demonstração mais marcante foi o EVA Cab, um protótipo de robotáxi com criptografia quântica, hardware de topo e LiDAR de alta resolução para condução autónoma. O veículo utiliza uma arquitetura eléctrica e eletrónica avançada e pretende, a curto prazo, demonstrar o potencial de segurança em comunicações com a nuvem.

Da fábrica ao ar: carros voadores e mobilidade aérea

A Aridge, em Cantão, está a avançar com a primeira fábrica de produção em massa de carros voadores. A unidade industrial de 120.000 m² dedica-se ao módulo aéreo de uma plataforma de mobilidade denominada Land Aircraft Carrier. A produção integra técnicas de união a frio, devido à necessidade de materiais compósitos leves e resistentes, com robótica que triplicou a velocidade de rebitagem automática e processos de pintura mais eficientes.

A produção em Aridge prevê 10 mil aeronaves por ano, com várias dezenas já em fases de desenvolvimento. A fábrica representa um marco na transição para a mobilidade aérea como complemento à mobilidade terrestre.

Xiaomi e a automação do futuro

Em Pequim, a fábrica da Xiaomi destaca-se pela automação extrema e por uma capacidade anual de 150 mil unidades na primeira fase. A produção de SU7 e YU7 ilustra o foco da marca em máquinas de alta precisão, com uma linha de montagem que quase não exige intervenção humana em áreas críticas.

A Xiaomi tem investido em tecnologia de fundição hypercast com a Xiaomi Hyper Die-Casting 9100t, capaz de reduzir o número de componentes do chassi, diminuir o peso em 17% e reduzir ruído interior, elevando a engenharia mecânica a novos patamares para o setor automóvel.

Parcerias e reconfiguração do mapa global

Diante deste dinamismo, fabricantes ocidentais têm adoptado parcerias para manter a competitividade. Em França, Renault e Geely firmaram uma aliança para o desenvolvimento de motores térmicos e híbridos eficientes. Stellantis anunciou investimento para participar na Leapmotor, criando uma rede internacional para venda de veículos chineses com apoio logístico europeu.

Na Alemanha, a Volkswagen investiu na Xpeng para explorar a plataforma técnica da chinesa, enquanto a Audi celebrou acordos com a SAIC para avançar com veículos elétricos apoiados por arquiteturas chinesas. A Geely, por sua vez, consolidou-se como acionista relevante da Mercedes-Benz, reforçando a presença chinesa na indústria global.

Estas tendências evidenciam uma reconfiguração do setor, em que a China ganha participação decisiva na produção, tecnologia e alianças estratégicas. A indústria automóvel mundial procura adaptar-se a este novo equilíbrio, sem eurocentrismo, mas com foco em eficiência, segurança e inovação.

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