- O júri do Tribunal Federal de Nova Iorque decidiu que a Live Nation e a Ticketmaster tinham monopólio ilegal no mercado norte-americano de eventos ao vivo.
- A decisão aponta práticas anticoncorrenciais que afetaram a venda de bilhetes em mais de 200 salas e a reserva de vários anfiteatros por parte de artistas.
- A prática causou que consumidores de 22 estados pagassem, em média, 1,72 dólares extra por bilhete em 257 locais, representando cerca de 20% do total; as indemnizações poderão chegar a centenas de milhões de dólares, ainda que possam ser triplicadas.
- O acordo com o Departamento de Justiça dos EUA foi recusado por 34 dos 40 queixosos; seis estados aderiram ao acordo, repartindo 18,6 milhões de dólares em reparações.
- A Live Nation detém, segundo dados, 86% do mercado de concertos e 73% do mercado global, mantendo operações em Portugal desde 2024 após a aquisição da Ritmos & Blues e da gestão da Meo Arena em Lisboa.
Live Nation e Ticketmaster condenadas por monopólio ilegal nos EUA. O veredicto, proferido em Nova Iorque, aponta práticas anticoncorrenciais que afetaram o mercado de bilhética em mais de 200 salas e vários grandes anfiteatros, elevando custos para consumidores em 22 estados.
A decisão revela que a Ticketmaster, integrada na Live Nation desde 2010, condicionou o acesso a bilhetes e a reserva de espaços. O tribunal avaliou que estas práticas restringiram a concorrência no setor de entretenimento ao vivo.
O veredicto pode implicar multas de centenas de milhões de dólares e ordens de venda de ativos, incluindo anfiteatros detidos pelas duas empresas. O montante final deverá considerar indemnizações aos consumidores e sanções adicionais.
A Live Nation sustenta que não detém monopólio, dizendo que os preços são definidos por artistas, equipas e recintos. A empresa mantém ainda que o veredicto não altera substancialmente o acordo já alcançado com o Departamento de Justiça dos EUA.
Em relação a custos aos bilhetes, a Ticketmaster reconhece que a taxa adicional de 1,72 dólares incidiu sobre um conjunto limitado de bilhetes vendidos em 257 locais, representando cerca de 20% do total. A indemnização total pode ficar abaixo de 150 milhões de dólares, segundo a atual avaliação da Live Nation.
Contexto internacional e recentes operações
A Live Nation chegou a Portugal em 2024, com a compra da Ritmos & Blues e da gestora da Meo Arena, em Lisboa. A Autoridade da Concorrência indicou que a empresa participa no festival Rock in Rio Lisboa via Better World e detém participação no Rolling Loud.
O caso envolve também reequilíbrios no mercado norte-americano, com termos do acordo anterior com o DOJ a abrir caminho a opções de venda de bilhetes a promotores e locais, contemplando potenciais concorrentes da Ticketmaster como SeatGeek ou AXS, ainda que não vinculativos.
Entre os lesados, 34 dos 40 queixosos recusaram o acordo, mantendo o processo ativo. Apenas seis estados (Arkansas, Iowa, Mississippi, Nebraska, Oklahoma e Dakota do Sul) aderiram ao acordo, recebendo 18,6 milhões de dólares em reparações.
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