- O Governo aprovou alterações à contratação pública, aumentando os limites para ajustes diretos e para consultas prévias.
- Nas empreitadas de construção civil, o ajuste direto passa a permitir contratos até 150 mil euros, quintuplicando o limite anterior de 30 mil euros.
- A consulta prévia sobe para um milhão de euros, em vez de 150 mil euros.
- A aquisição de bens e serviços por ajuste direto aumenta de 20 mil para 75 mil euros; outros contratos sobem de 50 mil para 75 mil euros; na consulta prévia, bens e serviços vão para 130 mil euros e outros contratos também para 130 mil euros.
- O Governo diz que a reforma pretende desbloquear o sistema e alinhar com diretivas europeias, defendendo menos burocracia e mais concorrência, enquanto críticas apontam maior discricionariedade e menos escrutínio.
O Governo aprovou, em Conselho de Ministros, alterações profundas ao regime de contratação pública. A medida amplia os limites para ajustes diretos e consultas prévias, permitindo contratos sem concurso público numa faixa mais elevada. A decisão visa facilitar a execução de investimento público.
Nas obras de construção civil, o ajuste direto passa a admitir até 150 mil euros, cinco vezes o limite anterior de 30 mil euros. A gestão de consultas prévias sobe de 150 mil para 1 milhão de euros. Os limites para bens e serviços também aumentam, conforme o tipo de contrato.
Para aquisição de bens e serviços por ajuste direto, o teto sobe de 20 mil para 75 mil euros. Em restantes contratos, o limite sobe de 50 mil para 75 mil euros. Na consulta prévia, bens e serviços passam de 75 mil para 130 mil euros; outros contratos de 100 mil para 130 mil euros.
Justificações oficiais
O Executivo sustenta que o alargamento desbloqueia o sistema e alinha Portugal às diretivas europeias. Argumenta que os limites atuais são desajustados à realidade económica e criam entraves à execução de investimento público.
Reações e desdobramentos
Críticos apontam maior discricionariedade para entidades públicas, aumentando o risco de menor escrutínio concorrencial. O Governo garante que a simplificação não compromete a transparência e que pode ampliar a participação de empresas.
Contexto económico
A reforma ocorre num momento em que a contratação pública representa entre 5% e 6% do PIB. O Governo procura aproximar esse peso da média europeia, que ronda 15%, posicionando a contratação pública como motor de crescimento e velocidade de investimento.
Antecedente recente
A aprovação surge uma semana depois de a administração avançar com outra proposta: contratos isentos de fiscalização prévia do Tribunal de Contas vão passar a ter um teto de 10 milhões de euros, acima do atual limite de 750 mil euros.
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