- A maioria dos portugueses defende a redução do alojamento local e uma gestão mais controlada do turismo, priorizando o bem-estar dos residentes, mesmo que isso reduza as receitas turísticas.
- O barómetro, com 1.072 entrevistas entre abril e julho, aponta a habitação como o setor mais afetado pelo turismo, associando-o ao aumento dos preços e à redução da oferta.
- Mais de setenta por cento considera que o Governo deve privilegiar o bem-estar dos residentes, mesmo com menor receitas turísticas, e apoia a limitação do alojamento local para enfrentar a crise habitacional.
- O turismo é visto como benéfico para a economia e para novos mercados, mas esses ganhos nem sempre se refletem em rendimentos ou qualidade de vida para a população.
- A pesquisa indica que o turismo aumenta o custo de vida e a pressão sobre serviços, com apoio a um crescimento mais sustentável e maior influência pública nas decisões sobre turismo.
Foi apresentado um barómetro da Fundação Francisco Manuel dos Santos que recolheu 1.072 entrevistas entre abril e julho deste ano. O estudo analisa a perceção da população residente em Portugal continental sobre o impacto do turismo. O foco está na habitação, na qualidade de vida e na distribuição dos benefícios do setor.
A maioria defende reduzir o alojamento local e gerir o turismo de forma mais restrita. Considerando o aumento dos preços das casas e a menor oferta, o bem-estar dos residentes aparece como prioridade, mesmo que haja menos receitas turísticas. O estudo aponta ainda sensação de que os custos de vida sobem com o turismo.
Outra conclusão é a desigualdade na perceção dos ganhos do turismo. Mais de dois terços veem benefícios para a economia, mas apenas um terço sente melhoria real nas suas vidas. Os autores destacam apoio à limitação de visitantes em áreas sobrelotadas e à diversificação económica para reduzir a dependência do setor.
Resultados-chave
O barómetro revelou relação entre satisfação de vida e visão favorável ao turismo. Residentes com maior vulnerabilidade habitacional são mais críticos. O estudo foi conduzido por Zélia Breda, Eduardo Brito-Henriques e Paulo M. M. Rodrigues, com 1.072 entrevistas presenciais, telefónicas e online.
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