- Portugal registou entre 2024 e 2025 o maior aumento anual da despesa em Defesa na última década, atingindo 6,1 mil milhões de euros e cumprindo pela primeira vez a meta de 2% do PIB.
- A NATO aponta que 2025 foi o 12.º lugar de Portugal no ranking de maior aumento de gasto face ao ano anterior.
- A maior parte do investimento continua em despesa com pessoal (cerca de 45%), seguido de “outros” (31,38%), equipamento (21%) e infraestruturas (2,15%).
- A cimeira da NATO decorre em Ancara, Turquia, onde Portugal tem dois navios reabastecedores em construção (NRP Luís de Camões e D. Dinis), com entrega prevista para 2028.
- Além disso, Portugal candidata-se ao mecanismo de empréstimos europeus SAFE (5,8 mil milhões de euros) para aquisição de fragatas, satélites, blindados, sistemas antiaéreos e drones; apoio à Ucrânia permanece na agenda (aprovação de cerca de 130,4 milhões de euros).
Portugal atingiu pela primeira vez a meta da NATO de gastar 2% do PIB em Defesa, registando entre 2024 e 2025 um cortejo de pagamentos de 6,1 mil milhões de euros. O aumento é o maior da última década e supera os 4,4 mil milhões de 2024, sinalizando uma subida de cerca de 1,6 mil milhões em um único ano.
O dado consta do relatório anual da Aliança Atlântica, divulgado à margem da cimeira que decorre em Ancara, Turquia. O documento também analisa a trajetória desde 2015 e mostra que Portugal nunca havia registado um salto tão significativo num só exercício.
Apesar de 2025 ficar abaixo da média da NATO de 2,77% do PIB, Portugal foi o 12.º aliado com maior aumento face a 2024. O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, antecipa que o país chega à próxima cimeira com 2,01% do PIB dedicado a Defesa.
Contexto estratégico
A cimeira de Ancara ocorre num momento em que muitos países europeus e o Canadá mantêm tendências de aumento, enquanto os EUA ajustam o peso financeiro na NATO. A reunião acontece após decisões da última cimeira, em Haia, que redefiniram metas de investimento, incluindo o objetivo de 5% do PIB até 2035 para a aliança.
A maior fatia do orçamento português continua em despesa com pessoal, representando cerca de 45% do total em 2025, face a 54,7% em 2024. Em segundo lugar aparecem as despesas designadas como “outros” (operações, I&D e despesas não enquadradas).
Outros itens relevantes no relatório apontam para o aumento da fatia dedicada a equipamento, que subiu de 15% para 21% do total, enquanto o peso de infraestruturas continua residual, em 2,15%. O reforço ocorre num quadro de aquisições estratégicas para o território, incluindo navios e tecnologia de defesa.
Investimentos e parcerias
Portugal mantém dois navios reabastecedores em construção para a Marinha em território turco: o NRP Luís de Camões e o D. Dinis, com entrega prevista para 2028. Em início de ano, Nuno Melo deslocou-se a solo turco numa aeronave KC-390 para avaliar oportunidades de negócio e parcerias, com visitas a empresas como a Baykar, especializada em drones.
O país também participa em iniciativas europeias de financiamento, candidatando-se ao mecanismo SAFE com uma proposta de 5,8 mil milhões de euros. O pacote inclui fragatas, satélites, blindados, sistemas antiaéreos, artilharia, drones e munições.
Apoio a Ucrânia
No domínio da política externa, o Governo português aprovou, recentemente, uma despesa de até cerca de 130,4 milhões de euros para apoio à Ucrânia neste ano. O montante integra o contributo de Portugal para a coordenação europeia de ajuda militar e humanitária.
A cimeira na Turquia e as decisões subsequentes devem moldar a próxima fase da cooperação militar europeia e transatlântica, com foco em capacidades, autonomia estratégica e apoio a aliados. Portugal mantém uma postura de cooperação e alinhamento com parceiros da NATO.
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