- O criador teatral britânico Tom Bailey, radicado em Bristol, percorreu mais de seis centenas de quilómetros pelos territórios fronteiriços do Ártico entre a Noruega, a Finlândia e a Suécia, a pé, de esqui, trenó e barco.
- A viagem, com o título Threshold – A Wild New Border Journey, durou dois meses e terminou a 27 de maio no Festival Internacional de Teatro de Stamsund, nas ilhas Lofoten.
- Bailey enveredou pela travessia para explorar, artisticamente, as alterações climáticas e o impacto na população local, incluindo comunidades sami, artistas e investigadores, questionando quem tem voz nas decisões sobre o Ártico.
- O percurso lento foi também uma resposta aos desafios do clima que tornou as deslocações difíceis e à situação provocada pelo Brexit, que impossa limites de permanência no Espaço Schengen.
- O espetáculo, ainda por estrear, foi criado com a cenógrafa Natasha Soonchild e deverá estrear em 2027, dependendo de financiamento; a obra propõe repensar a relação entre criação artística e mundo natural.
Tom Bailey transformou a jornada climática de 600 km no Ártico em projeto teatral. O artista britânico, radicado em Bristol, passou seis semanas na região que está a transformar-se rapidamente. A viagem terminou no final de maio, no Festival Internacional de Teatro de Stamsund, nas ilhas Lofoten.
Bailey partiu em março da fronteira entre a Noruega e a Rússia com tenda, fogareiro e equipamento para temperaturas entre -30 °C e +15 °C. Não levou espetáculo pronto; a ideia era criar durante o percurso, a partir da paisagem e das pessoas que encontrava.
A pé, de esqui, de trenó e de barco, o criador da MECHANIMAL percorreu mais de 600 km pelas zonas fronteiriças do Ártico, entre Noruega, Finlândia e Suécia. O percurso cruzou florestas, lagos e áreas costeiras, envolvendo comunidades Sami, habitantes locais, artistas e investigadores.
Esta travessia, intitulada Threshold – A Wild New Border Journey, foi também uma investigação política. Bailey questiona quem decide sobre o futuro do Ártico, a partilha de recursos e a soberania, à medida que o clima aquece e novas zonas ficam acessíveis.
A viagem decorreu num contexto de neve variável devido a uma primavera particularmente quente. O terreno obrigou a viajar maioritariamente de noite, montar o acampamento por várias horas diárias e derreter neve para água potável.
O artista enfrenta ainda constrangimentos do Brexit, já que o Reino Unido está sujeito ao limite de 90 dias no Espaço Schengen. A gestão do tempo de permanência tornou-se uma preocupação constante durante a digressão.
A narrativa da jornada já gerou público de interesse: Bailey realizou uma primeira apresentação pública do material recolhido a 27 de maio, no festival de Stamsund. O espetáculo completo está previsto estrear na verão de 2027, caso haja financiamento.
Natasha Soonchild, cenógrafa da MECHANIMAL, acompanhou Baileys durante a viagem, colaborando na criação de uma peça que deverá nascer a partir da experiência vivida. Ainda não existe uma data definitiva para a estreia, dependente de apoio financeiro.
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