- O vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Wu Chih-chung, alertou que, se a China atacar Taiwan, França, a Europa, os Estados Unidos e o Japão serão afetados, e Taiwan ficará numa situação muito difícil.
- Taiwan contesta a reivindicação de soberania chinesa sobre a ilha e mantém-se como Republica da China, enquanto Pequim insiste em designar Taiwan como Taipé Chinês.
- A ilha tem um papel crucial na tecnologia mundial: a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company fabrica mais de noventa por cento dos semicondutores mais avançados.
- Cerca de sessenta mil contentores atravessam o estreito de Taiwan, uma passagem de cento e oitenta quilómetros, estimando‑se que represente três vezes o fluxo dos canais do Panamá e de Suez.
- A Europa é prioritária para Taiwan, que defende relações discretas e enfatiza que não pretende declarar independência, mas reforçar a cooperação para manter a democracia e a estabilidade regional.
Desde uma entrevista exclusiva à Euronews Next, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Wu Chih-chung, lançou um alerta sobre os impactos globais de um eventual ataque a Taiwan pela China. O diplomata destacou que tal cenário afetaria França, Europa, EUA e Japão, com Taiwan a enfrentar consequências severas.
Wu contestou a reivindicação chinesa sobre Taiwan como parte da China desde 1949 e lembrou que a ilha já foi governada por diversos poderes históricos. Refutou a narrativa de soberania contínua apresentada por Pequim e sublinhou que Taiwan tem uma história complexa, não reduzível a uma única narrativa.
O vice-ministro recordou que Taiwan desenvolveu tecnologia-chave, com a TSMC a fabricar a maior parte dos semicondutores avançados do mundo. Destacou ainda que a indústria depende de Taiwan para IA, computação de alto desempenho e sistemas militares, evidenciando a importância estratégica da ilha.
O papel de Taiwan no “silício” global
Wu indicou que cerca de 70% dos semicondutores globais são produzidos em Taiwan, com 95% dos chips mais avançados e todos os chips de IA vindo do território. Acrescentou que, num centímetro quadrado de silício, se integram mais de 10 mil milhões de componentes.
O vice-ministro afirmou que mais de 60 mil contentores passam pelo estreito de Taiwan, numa passagem de 180 quilómetros de largura. Estimou que esse fluxo representa três vezes o volume de contentores que cruzam os canais do Panamá e de Suez.
Europa e interesses comuns
Wu reforçou que a estabilidade da região é uma responsabilidade global, mas advertiu que Taiwan não é ingênuo. Questionou por que a França ou outros países haveriam de proteger Taiwan, ressaltando que há interesses europeus na região e que se pode trabalhar com democracias amigas.
Apontou que partes da indústria europeia estão ligadas a Taiwan, incluindo tecnologia de fotolitografia dos Países Baixos, ótica de precisão da Zeiss e gases da Air Liquide. Anotou que a Europa tem presença em parcerias taiwanesas, como a Foxconn com a Thales.
Desafios e oportunidades
Wu afirmou que a China sente estar a perder Taiwan e que a sua estratégia passa por pressionar a ilha por todos os meios. Considerou que a mentalidade chinesa persiste na ideia de pertença à China, o que representa um desafio para a estabilidade regional.
Atração de parceiros internacionais é vista por Taipei como oportunidade, apesar das tensões. Wu indicou que a economia de Taiwan tem mostrado resiliência, com o mercado acionista a superar o alemão e o francês, segundo dados deste ano.
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