- A Comissão Europeia avisou, de forma velada, a Albânia para não comprometer a sua candidatura à UE com um projeto imobiliário de 1,4 mil milhões de euros ligado à Affinity Partners, ligada ao genro de Donald Trump, Jared Kushner.
- O projeto envolve zonas protegidas na costa Adriática, nomeadamente a lagoa de Narta e a ilha desabitada de Sazan, e tem gerado protestos há várias semanas.
- O porta-voz da Comissão, Guillaume Mercier, pediu às autoridades albanesas que atuem sem demora para não colocar em risco o Capítulo 27, referente às normas ambientais, na adesão à UE.
- O primeiro-ministro Edi Rama defende o projeto, classificando a resistência como parte de uma “guerra híbrida”; as manifestações pedem o cancelamento do empreendimento.
- O caso está a ser analisado pela procuradoria especial SPAK, que investiga alterações legislativas de 2024 que retiraram proteções a ecossistemas sensíveis, bem como alterações à lei de áreas protegidas.
A União Europeia alerta para o projeto imobiliário de 1,4 mil milhões de euros ligado à família do presidente norte-americano. A Comissão Europeia pediu a Tirana que evite ações que possam comprometer a candidatura à UE, especialmente enquanto decorre o controlo ambiental de uma zona costeira no Adriático. As mensagens chegam numa fase de protestos em Tirana e na lagoa de Vjosa-Narta.
Os planos abrangem áreas protegidas, incluindo a lagoa de Narta e a ilha desabitada de Sazan. A sociedade Affinity Partners, associada ao projeto, tem ligações ao genro de Donald Trump, Jared Kushner. O projeto recebeu acesso especial a autoridades locais, segundo informações em análise. Autoridades albanesas afirmaram que as obras foram suspensas, embora o debate persista entre apoio e contestação.
Protestos na capital e na costa adriática já duram uma semana. Manifestantes denunciam impactos ambientais, exibindo símbolos como o flamingo-rosado, espécie ameaçada, que se tornou rosto das críticas. O governo afirma que a resistência ao plano faz parte de uma disputa política mais ampla.
Contexto institucional e implicações da UE
Em resposta a questões da Euronews, o porta-voz da Comissão Europeia pediu que as autoridades albanesas atuem sem demora para não colocar em risco o capítulo 27 das negociações, relativo ao ambiente. Bruxelas também questiona alterações a leis de investimentos estratégicos aprovadas em 2025 e a proteção de áreas sensíveis.
Investigação e próximos passos
A investigação sobre o projeto está a cargo da procuradoria especial SPAK, que analisa alterações legais de 2024 que retiraram proteções a ecossistemas sensíveis. A Albânia encontra-se entre os países mais adiantados na janela de adesão à UE, com as negociações divididas em 33 capítulos. Encerrar o capítulo ambiental é visto como determinante para manter o ímpeto da candidatura.
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