- Uma empresa norte‑americana de biotecnologia, Life Biosciences (Boston), testou pela primeira vez uma terapia genética destinada a reverter o envelhecimento celular em humanos.
- A terapia ER‑100 (AAV2‑OSK) usa os fatores OSK (Oct4, Sox2 e Klf4) para reprogramar epigeneticamente células envelhecidas, visando neuropatias óticas.
- O estudo de Fase 1 avalia a segurança em pacientes com glaucoma de ângulo aberto e neuropatia ótica isquémica anterior não arterítica.
- O tratamento já tinha sido testado em roedores e primatas antes de chegar ao ser humano, sendo apresentado como o primeiro candidato de restauração epigenética a entrar em ensaios clínicos.
- A Life Biosciences pretende expandir a abordagem a outras doenças e órgãos, incluindo uma segunda terapia para doenças do fígado; os resultados ainda não foram divulgados.
A empresa norte‑americana Life Biosciences testou, pela primeira vez, uma terapia genética concebida para reverter o envelhecimento celular em humanos. O tratamento ER‑100 (AAV2‑OSK) dirige‑se a neuropatias óticas, condições que afetam o nervo ótico.
A iniciativa contempla um estudo de Fase 1 em participantes com doenças oculares graves. O objetivo é avaliar a segurança do protocolo na primeira utilização clínica, após testes pré‑clínicos em roedores e primatas.
O anúncio foi feito pela Life Biosciences, sediada em Boston, que descreve o ER‑100 como candidato a restauração epigenética das células. O desenvolvimento junta as proteínas OSK para reiniciar funções celulares.
Como funciona
As proteínas OSK — Oct4, Sox2 e Klf4 — atuam como interruptor de “reinício” no DNA das células. A ideia é devolver às células um estado mais jovem, corrigindo alterações epigenéticas associadas ao envelhecimento.
A terapia pretende reverter alterações que surgem com o tempo, influenciadas por fatores de estilo de vida, doenças ou lesões. Assim, o objetivo é recuperar parte da função celular prejudicada.
Doenças visadas
O estudo de Fase 1 inclui pessoas com glaucoma de ângulo aberto (OAG) e neuropatia ótica isquémica anterior não arterítica (NAION). Estas condições provocam perda de visão de diferentes formas e velocidades.
O glaucoma é uma doença ocular crónica que aumenta a pressão intraocular. A visão periférica costuma diminuir ao longo do tempo, com progressão lenta.
A NAION surge por diminuição do fluxo sanguíneo no nervo ótico e pode causar perda de visão súbita, normalmente num único olho.
Próximos passos
Além do ER‑100, a Life Biosciences trabalha em aplicações para outros órgãos e já testa uma segunda terapia para doenças do fígado. A empresa afirma explorar a abordagem de “reinício” celular em várias indicações.
Não é apenas a Life Biosciences a explorar fatores OSK. Outras empresas, como a Retro Biosciences e a Shift Bioscience, também investigam terapias que visam prolongar a vida e tratar doenças associadas à idade.
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