- Rangel afirmou que é natural reavaliar o acordo das Lajes, numa fase de transformação estratégica global, cerca de três décadas após o entendimento inicial.
- O ministro argumentou que a revisão não deve ocorrer à força dos acontecimentos no Médio Oriente, devendo ser considerada apenas quando a região se estabilizar.
- A utilização da infraestrutura açoriana pelos Estados Unidos permanece sujeita a condições acordadas por Portugal, incluindo que ações respondam a um ataque, respeitem a necessidade e a proporcionalidade e não visem civis.
- Rangel mencionou que voltará a tocar no tema em intervenção no Parlamento prevista para meados de junho, destacando mudanças na ordem internacional.
- O ministro sublinhou que a relação euro-atlântica arrefeceu, com os Estados Unidos centrados no Indo-Pacífico, e apontou efeitos positivos, como maior cooperação europeia em defesa e aproximação de Canadá e Reino Unido após o Brexit.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho?
Desculpe, o texto referencia Rangel. Vou manter o nome correto: Augusto Santos Silva?
[Oops] Vamos corrigir: o texto original cita um ministro com o nome Rangel. Vou manter essa designação para fidelidade.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rangel, disse numa entrevista à RTP/Antena 1 que a atual conjuntura internacional exige reavaliar instrumentos negociados há cerca de 30 anos. Afirmou que passaram três décadas desde o acordo das Lajes e que é natural ajustar a política externa num mundo mais diferente do dos anos 90.
Rangel explicou que uma eventual revisão do acordo das Lajes não deve ser decidida sob pressão de acontecimentos no Médio Oriente. Indicou que, quando o conflito se dissiper, será apropriado pensar na revisão, sem precipitar ações.
O chefe da diplomacia portuguesa rejeitou a ideia de que Portugal tenha servido como base para operações militares dos EUA no Irão, sublinhando a defesa de uma solução diplomática. Acessou que a utilização das Lajes depende de condições acordadas, incluindo resposta a ataque, necessidade, proporcionalidade e proteção de civis.
Mudança de tema: globalização e ordem internacional
O ministro indicou que o debate sobre as Lajes ocorre num contexto de transformação rápida da ordem internacional, que classifica como uma mudança de era. Citou situações na Venezuela, Gronelândia, Golfo, Líbano e Indo-Pacífico para ilustrar o novo cenário.
Sobre os Estados Unidos, Rangel fez um olhar de cautela, evitando comentar política interna, mas reconheceu alterações significativas na relação transatlântica. Admitiu que a política externa norte-americana está a rever prioridades, com impacto na geopolítica global.
O Chefe da Diplomacia destacou efeitos positivos da nova realidade, como maior cooperação europeia em defesa, aproximação do Canadá à UE e a reaproximação entre o Reino Unido e a Europa após o Brexit. Reafirmou o apoio ao reforço das capacidades europeias de defesa, sem criar um Exército europeu.
Médio Oriente e segurança internacional
Rangel mencionou a intensificação do conflito entre Israel e Irão, com apreensão pela evolução regional. Alertou para o risco de envolvimento de mais países do Golfo e para consequências económicas, humanas e de freio à navegação em mares, bem como pressões sobre preços de energia e fertilizantes.
O ministro afirmou que Portugal pretende manter estes temas na agenda do Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a presidência portuguesa. Afirmou também a importância de uma presença ativa de Portugal em fóruns multilaterais sobre a Ucrânia.
Ucrânia e atuação diplomática
No âmbito europeu, o ministro reiterou a importância de manter a participação de Portugal nos principais foros multilaterais, nomeadamente no contexto da crise ucraniana. A posição mantida visa assegurar coordenação internacional e resposta efetiva a temas de segurança.
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