- 91% dos portugueses dizem ter visto cinema nacional, mas 41% não viu nenhum filme português no último ano.
- O estudo foi apresentado nos Encontros do Cinema Português pela Nos e baseia-se em 300 entrevistas online, com dados da Gfk.
- Entre quem viu cinema português recentemente, Balas & Bolinhos e a série Rabo de Peixe são as referências de memória.
- Em 2025, a quota de mercado do cinema português foi de 2,1%, correspondendo a cerca de 229 mil bilhetes vendidos em 10,4 milhões de entradas.
- As principais vias de consumo são televisão (45%), streaming (24%) e salas de cinema (21%), com 45% a considerar o cinema nacional “chato/baixa qualidade”.
O público português afirma ver cinema nacional, mas a memória sobre o que viu é fraca. Um estudo da Nos, a maior operadora de cinema em Portugal, indica que 91% dos inquiridos referem ter visto cinema português, mas 41% não viu nenhum filme nacional no último ano. A memória de qual foi o último filme também está falha.
Questionados sobre o último filme português que os levou ao cinema, muitos citam títulos que não correspondem a obras recentes, como Balas & Bolinhos e Rabo de Peixe, que é uma série. Os dados foram apresentados numa sessão que juntou o sector, com a presença da ministra da Cultura.
Contexto e metodologia
O estudo O Cinema Português aos Olhos do Público foi apresentado na 11.ª edição dos Encontros do Cinema Português. A base envolve 300 cidadãos residentes em Portugal continental, entre 18 e 64 anos, respondendo online, com apoio da analista de mercado Gfk. A amostra é inferior ao ideal para representar a população.
Para a Nos, o retrato mostra que o cinema nacional é amplamente visto, mas com baixa frequência de exibição e memória limitada. Em 2025, o cinema português detinha 2,1% da quota de mercado, correspondendo a cerca de 229 mil espectadores, num total de 10,4 milhões de bilhetes vendidos em Portugal.
Comportamento do público
A maior parte dos inquiridos acede ao cinema nacional através da televisão (45%) ou streaming (24%), deixando apenas 21% para salas de cinema. A avaliação geral é dividida: 45% consideram o cinema nacional pouco interessante ou de qualidade duvidosa; 41% o veem como bom ou interessante.
Entre os filmes lembrados, há destaque para Variações e A Gaiola Dourada, bem como remakes de clássicos como O Leão da Estrela. Os inquiridos apontam preferências por comédias, ação e thriller, e justificam a falta de visionamento com desinteresse pela história, percepção de filmes pouco comerciais ou desconhecimento de estreias nacionais.
Perspetivas para o setor
Ana Sofia Oliveira, que apresentou o estudo, descreve Rabo de Peixe, da Ukbar Filmais e Netflix, como um exemplo que surge espontaneamente nas entrevistas, oferecendo aprendizagens sobre género e comunicação no cinema português. A ministra da Cultura destacou, na abertura dos encontros, que o futuro do setor depende da circulação, do acesso, da proximidade e da relação com o público.
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