- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu condicionar o fim da guerra com o Irão à adesão de aliados árabes aos Acordos de Abraão sobre a normalização com Israel.
- A ideia foi mencionada numa reunião na Casa Branca e numa conversa telefónica com dirigentes de vários países do Médio Oriente, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Egito, Jordânia, Bahrein, Paquistão e Turquia.
- Os Estados Unidos e o Irão estão a negociar indiretamente, mediadas pelo Paquistão, para encerrar a guerra deflagrada a 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana.
- Washington rejeitou um documento iraniano divulgado pela televisão estatal que dizia respeito à reabertura do estreito de Ormuz e ao adiamento de negociações nucleares, classificando-o como falso.
- Trump reiterou que não está satisfeito com o atual acordo nuclear e mencionou a possibilidade de retomar ações militares, além de manter a oposição a terceiros controlarem o urânio enriquecido do Irão, sem pressa para chegar a um pacto antes das eleições intercalares.
O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que pode condicionar o fim da guerra com o Irão à adesão de aliados árabes aos Acordos de Abraão. A declaração foi feita numa reunião na Casa Branca, dirigida à sua equipa, na quarta-feira, e surge na preparação de uma estratégia de diplomacia de paz no Médio Oriente.
A conversa com dirigentes do Médio Oriente ocorreu na ligação de sábado anterior entre Washington e líderes da Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão e Turquia. O objetivo é obter apoio de vários países à normalização com Israel como parte de uma solução regional.
As negociações indiretas entre EUA e Irão intensificaram-se na última semana, mediadas pelo Paquistão, para chegar a um acordo que encerre o conflito iniciado pela ofensiva de 2023. Um documento iraniano hoje divulgado pela televisão de Teerão foi considerado falso pela Casa Branca.
Mudança de foco na negociação
A reabertura do estreito de Ormuz e o dossier nuclear iraniano estão no centro das discussões, com Trump a propor também que a adesão de aliados aos Acordos de Abraão seja condição para avançar. Riade já indicou que só aceitaria essa normalização se existir um caminho concreto para um Estado palestiniano.
A Administração anterior, liderada por Joe Biden, procurou a adesão da Arábia Saudita aos Acordos de Abraão, mas as negociações estagnaram após ataques de grupos extremistas no sul de Israel. O objetivo atual dos EUA é evitar depender de terceiros para a monitorização de urânio enriquecido.
Urânio e equilíbrio geopolítico
Trump reiterou que não admite que potências como a Rússia ou a China controlem stocks de urânio enriquecido do Irão, numa perspetiva de evitar uma transferência de material sensível. Pequim manifestou abertura para assumir parte do stock, enquanto Moscovo ofereceu-se para armazená-lo, no âmbito de acordos anteriores.
O presidente norte-americano afirmou que o acordo nuclear deverá prever a transferência de stocks para os EUA e rejeitou a participação de terceiros no controlo do material. A posição de Washington mantém-se firme, segundo a Casa Branca.
Contexto regional
A possível normalização entre Arábia Saudita e Israel seria uma viragem geopolítica relevante, dependendo de avanços no diálogo com Teerão. O toma-lado diplomático envolve ainda o desembolso de ativos iranianos no estrangeiro e a suspensão de sanções internacionais, entre outros pontos da agenda.
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