- O fotógrafo francês Stéphan Gladieu apresenta a série North Korea, retratos da população norte-coreana feitos ao longo de cinco viagens entre 2017 e 2020.
- Gladieu informou que não fotografou arquitetura nem espaços vazios, buscando dar voz às pessoas num país com escasso acesso à informação e pouca visibilidade internacional.
- A série, que combina retratos individuais e de grupo, usa iluminação de estúdio em cenários reais para criar imagens de algo entre o retrato icónico e a fotografia documental.
- Em cada retrato, a câmara fica a uma distância fixa e a luz é mantida igual, com o objetivo de mostrar pessoas reais em situações cotidianas, como em supermercados ou consultórios médicos.
- North Korea encontra-se em exposição no Musée des Confluences, em Lyon, de 12 de junho de 2026 a 2 de janeiro de 2028.
Stephan Gladieu apresenta a série North Korea, retratos do quotidiano de uma população pouco visível no país fechado. A obra, produzida ao longo de três anos, chega ao Musée des Confluences, em Lyon, antes de uma exposição pública internacional.
Entre 2017 e 2020, o fotógrafo francês realizou cinco viagens à Coreia do Norte, com guias que falavam inglês. O foco esteve nos habitantes, não na arquitetura ou nos espaços vazios, seguindo a ideia de oferecer uma visão humana do país.
Gladieu pretendeu aproximar o público das pessoas fotografadas, criando retratos que funcionam como espelhos de quem observa. A abordagem de estúdio na rua, com iluminação constante, confere aos retratos um brilho quase de revista, equilibrando realismo e iconografia.
Objetivo e abordagem
A série reúne retratos individuais e de grupo, sempre com enquadramento e luz padronizados para manter a coerência visual. Em locais do quotidiano, como supermercados ou consultórios, as pessoas aparecem em situações naturais, sem pose forçada.
O autor descreve o desafio de operar como estrangeiro com acesso restrito: a logística e o controlo de deslocação exigem negociação constante com os guias. A interação humana, sobretudo nas conversas iniciais, ajudou a moldar as escolhas fotográficas.
A estética de North Korea recorre a cores singulares e à simetria, características que o próprio Gladieu utiliza para transmitir uma mensagem humanista. Em alguns casos, a colaboração com anfitriões abriu possibilidades imprevistas, levando a imagens marcantes.
Exposição e contexto
A mostra no Musée des Confluences em Lyon apresenta as imagens produzidas entre 2017 e 2020, já publicadas em livro em 2020. A curadoria destaca o equilíbrio entre o registro factual e a dimensão simbólica das cenas.
Segundo o fotógrafo, as fotografias pretendem dar aos norte-coreanos uma presença visível, complementando a cobertura mediática convencional. O conjunto oferece uma leitura sobre o cotidiano, as dinâmicas sociais e a relação entre indivíduos e ambiente.
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