- Santos Cerdán, antigo “número dois” do PSOE, é acusado de corrupção, crime organizado e tráfico de influências, num esquema que envolveria uma rede dentro do partido relacionada com obras públicas, incluindo um túnel em Navarra.
- Em relação a José Luís Ábalos e ao assessor Koldo García, a investigação começou em fevereiro de 2024, inicialmente ligada à compra de máscaras durante a pandemia, mas avançou para alegados lucros em grandes obras públicas.
- Santos Cerdán deixou os cargos no PSOE e o seu assento no Congresso; o presidente Pedro Sánchez reconheceu ter confiado na pessoa errada, efetuou uma reestruturação do partido e afirmou que as contas estavam limpas, sem demissão ou antecipação de eleições.
- A acusação política ganhou força com a oposição, que cita o “grupo do Peugeot”—referência à viagem de carro de 2017 que envolve Sánchez e os seus apoiantes antes das primárias.
- Existe também uma investigação ao irmão de Sánchez, David Azagra, por possíveis prevaricação administrativa e tráfico de influências, relacionado com a contratação para coordenação de atividades dos conservatórios de música na província de Badajoz.
Dois socialistas de relevo enfrentam suspeitas de corrupção e tráfico de influência, afetando não só o partido, mas também a liderança de Pedro Sánchez. O caso envolve uma rede presumida dentro do PSOE ligada a contratos públicos e favorecimentos.
Em junho do ano passado, Santos Cerdán, antigo vice-presidente do PSOE e aliado próximo de Sánchez, foi apontado como réu em crimes de corrupção, organização e tráfico de influências. A investigação envolve ainda o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos e o seu assessor, Koldo García, num suposto esquema de adjudicações para obras públicas, incluindo um túnel em Navarra.
Assim que surgiram as suspeitas, Cerdán afastou-se de todos os cargos no PSOE e perdeu o lugar no Parlamento. Sánchez reconheceu ter confiado na pessoa errada, mas assegurou não estar envolvido nas investigações. O líder reorganizou o partido e manteve a confiança na gestão, sem demissões ou eleições antecipadas.
A investigação sobre Ábalos e García iniciou-se em fevereiro de 2024, inicialmente por suspeitas na compra de máscaras durante a pandemia. O caso evoluiu para alegações de benefício económico com adjudicações de obras públicas de grande envergadura, alimentando críticas da oposição, que cita o período de viagens de carro entre Madrid e várias regiões do país em 2017, antes das primárias que favoreceram Sánchez.
Desdobramentos políticos
Entre os casos que pesam sobre o Governo, surge também a investigação ao irmão de Sánchez, David Azagra, que atua sob o nome artístico David Azagra. É acusado de prevaricação administrativa e tráfico de influências devido à sua contratação pela presidência da Assembleia de Badajoz para coordenar atividades nos conservatórios de música, em contexto de contratação pública sem procedimentos habituais.
O conjunto de arguições já coloca o Governo em posição de defesa pública, com o PSOE a defender a gestão e as contas, enquanto a oposição reforça a necessidade de transparência e de responsabilização. As investigações continuam a decorrer, sem que haja, até ao momento, uma conclusão oficial sobre participação direta de Sánchez.
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