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Prisioneiros venezuelanos tomam controlo da cadeia e denunciam torturas

Prisioneiros venezuelanos tomam controlo da prisão de Barinas, denunciam torturas e exigem a destituição do diretor, com protestos no telhado e incêndio de colchões

Os presos amotinados reuniram-se no telhado da prisão e penduraram faixas com palavras ou frases de protesto
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  • Centenas de presos amotinaram‑se na prisão de Barinas, no oeste da Venezuela, tomando o controlo das instalações e exigindo a destituição do diretor.
  • Denunciam torturas e abusos, relatando espancamentos, água fria e choques elétricos; dezenas de faixas foram penduradas no telhado a pedir fim à tortura.
  • Os detidos incendiaram colchões e lençóis, gerando grandes colunas de fumo visíveis no centro prisional, enquanto familiares se aproximavam do local.
  • A Observatório Venezuelano de Prisões informa que cerca de 1200 homens e mais de 100 mulheres estão em greve; as visitas têm sido impedidas e não há comunicado oficial das autoridades.
  • O problema das prisões venezuelanas persiste, com histórico de sobrelotação e violações de direitos humanos; em abril houve mortes num motim na prisão de Yare III e, em 2023, houve intervenção militar em prisões.

Centenas de prisioneiros amotinados tomaram o controlo da prisão de Barinas, no oeste da Venezuela, no final do fim de semana. Exigem a destituição do diretor da prisão e denunciam maus-tratos, segundo reportagem da AFP.

Os detidos reuniram-se no telhado e penduraram faixas com mensagens de protesto como SOS e pedidos de fim da tortura. Foram ainda ouvidos gritos de protesto contra as condições de retenção.

Durante o motim, os presos incendiaram colchões e lençóis, gerando largas colunas de fumo no centro prisional, a cerca de 500 quilómetros de Caracas, numa região associada ao ex-presidente Hugo Chávez.

Polícias com escudos cercaram o recinto, enquanto familiares dos detidos se juntavam às aproximações da cadeia, preocupados com o que se passava no interior.

A mãe de um preso, Yelitza Arrollo, afirma que os guardas bateram no filho e que ele não tem notícias desde 8 de maio. Negações sobre torturas também foram reportadas por familiares.

Segundo os familiares, vários prisioneiros ficaram feridos, mas não houve comunicação oficial das autoridades até ao momento.

A organização Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) tem reportado dificuldades nas visitas e indicou que cerca de 1200 homens e mais de 100 mulheres no centro de Barinas entraram em greve, denunciando maus-tratos.

O Ministério dos Serviços Penitenciários não divulgou ainda um comunicado sobre o incidente, mantendo o silêncio oficial.

Contexto de violações de direitos humanos nas prisões venezuelanas tem sido constante, com ONG a apontar sobrelotação, atrasos processuais e detidos sem julgamento há meses.

Em abril, o Governo confirmou a morte de cinco pessoas num motim na prisão de Yare III, a cerca de 70 quilómetros de Caracas. Em 2023, Nicolás Maduro ordenou intervenção militar em prisões sob controlo de gangues.

Delcy Rodríguez, presidente interina, prometeu reformas ao sistema judiciário, num contexto de mudanças políticas no país.

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