- Trabalhadores da funerária El Salvador, de Valladolid, prestaram depoimento no tribunal, mantendo que nunca trabalhavam em conjunto com Justo Martín Garrido, o denunciante do alegado esquema de reutilização de caixões.
- Garrido reuniu, entre 1995 e 2015, fotografias, vídeos e apontamentos sobre irregularidades, usando a documentação para pressionar o antigo dono da empresa, Ignacio Martín Alonso, que morreu em 2022; Garrido suicidou-se em agosto de 2024.
- Os arguidos negam envolvimento direto, atribuindo toda a responsabilidade ao denunciante e ao empresário falecido, apontando para um ambiente de desorganização e irregularidades como pagamentos em dinheiro não declarados e faturas alteradas.
- Os trabalhadores, com décadas de casa, admitiram várias funções na empresa, mas disseram que pouco viam Garrido ou trabalhavam nos horários opostos aos seus, conforme os seus cadernos de registo.
- O julgamento continua em Valladolid, com os familiares do fundador a afirmar que ele era o único chefe e que tomava as decisões administrativas, transferindo a responsabilidade para o pai falecido.
Um julgamento em Valladolid, Espanha, envolve trabalhadores de uma funerária que terá reutilizado caixões antes da cremação. Em tribunal, quase 20 arguidos negaram envolvimento direto com o alegado esquema, culpando o denunciante e o antigo proprietário, já falecidos.
A denúncia foi feita por Justo Martín Garrido, antigo responsável pelo forno crematório, que recolheu evidências entre 1995 e 2015. Garrido reuniu fotografias, vídeos e notas em 26 cadernos para sustentar as suspeitas. O caso remonta a 2019, quando começaram as investigações.
Depoimentos e defesa dos arguidos
Os trabalhadores sustentam que nunca trabalharam em horários coincidentes com Garrido, e que não tinham conhecimento de qualquer irregularidade associada aos caixões. Descrevem um ambiente de desorganização no Grupo El Salvador e mencionam pagamentos em dinheiro não declarados.
Entre os declinantes da responsabilidade, surgem relatos sobre a rotina do crematório, incluindo o transporte e armazenamento dos caixões, bem como os procedimentos administrativos. A maioria admite funções diversas, muitas vezes sem especialização, e vínculos familiares com o fundador.
Responsabilidade atribuída aos familiares do proprietário
Rosario Morchón Vaquero, filha do fundador, afirmou que o pai controlava a estrutura empresarial e que recebia dinheiro em numerário. O irmão Ignacio Morchón Vaquero e outros arguidos reforçam que apenas cumpriam ordens do pai, apresentando-o como único chefe da empresa.
O julgamento prossegue nos próximos dias em Valladolid, com as equipes a detalhar o funcionamento do crematório e as supostas falhas de controlo interno.
Entre na conversa da comunidade