- Os Estados Unidos, sob o segundo mandato de Trump, adotam uma política comercial agressiva, aplicando tarifas à UE para obter melhores acordos.
- A ofensiva divide empresas norte‑americanas entre as que pressionam Bruxelas e as que preferem diplomacia para manter estabilidade no acesso ao mercado europeu.
- Washington critica regulamentos europeus e procura queixas de empresas norte‑americanas para usar em disputas com a UE; houve sanções a responsáveis do Tribunal Penal Internacional que afetaram serviços nos EUA.
- A União Europeia discute autonomia estratégica, com França a defender uma abordagem mais protecionista e economias exportadoras como a Alemanha a preferirem mercados abertos.
- O debate sobre soberania tecnológica continua, incluindo o Industrial Accelerator Act, com discussões sobre produtos totalmente fabricados na Europa versus fabricados com parceiros de confiança, e a atribuição de contractos a soluções europeias.
A administração de Donald Trump mantém uma ofensiva para impor interesses empresariais dos EUA na Europa, o que está a dividir empresas norte-americanas e a acelerar o impulso da UE para reduzir dependências externas. A estratégia envolve tarifas, pressões regulatórias e queixas de empresas para uso diplomático com a UE. O objetivo é obter condições de mercado mais favoráveis para os EUA.
A postura de Washington tem sido agressiva desde o regresso de Trump à Casa Branca em 2025. Os reguladores criticam normas europeias consideradas prejudiciais aos EUA e há relatos de empresas a apresentar queixas para reforçar disputas com Bruxelas. O escrutínio público aumenta a cautela entre as empresas americanas na Europa.
Ao mesmo tempo, companhias europeias veem na desconfiança sobre a administração Trump uma oportunidade de acesso a mercados antes dominados por gigantes norte-americanos. A divisão interna entre as empresas dos EUA reflete a complexa relação económica transatlântica.
Abordagens divergentes
Algumas empresas defendem uma atuação mais assertiva com contacto direto às autoridades dos EUA quando Bruxelas restringe operações na UE. Outras preferem uma posição mais conciliadora para preservar estabilidade e continuidade.
As diferenças costumam acompanhar o histórico no mercado europeu. Novo-intruduzidos confiam mais em Washington, enquanto entidades com décadas de presença na UE preferem diplomacia. O posicionamento no mercado também molda o tom adotado.
Empresas de consumo tendem a ser mais confrontacionais; infraestruturas críticas costumam adotar cautela. Ainda assim, persiste uma desconfiança estrutural nas relações transatlânticas, que se manifesta nas estratégias de cada grupo.
Autonomia estratégica em foco
A segunda investida de Trump reacendeu o debate europeu sobre autonomia estratégica, visando reduzir dependências de fornecedores externos em contextos geopolíticos. A UE permanece dividida entre defensores de uma maior intervenção pública e defensores de mercados abertos.
A França tem sido voz ativa pela proteção interna, enquanto economias exportadoras, como a Alemanha, defendem mercados abertos. A retórica da Administração Trump, por vezes imprevisível, tem levado alguns governos a reavaliar posições.
A Comissão Europeia já sinalizou uma mudança ao lançar um concurso de 180 milhões de euros para serviços de nuvem soberanos a uma federação europeia, em vez de um fornecedor norte‑americano. A interoperabilidade é citada como caminho para reduzir dependências.
Perspetivas futuras
O debate sobre soberania tecnológica deverá ganhar novo impulso no próximo pacote europeu, com foco em contratação pública em setores estratégicos, incluindo defesa. Empresas americanas veem oportunidade nas soluções europeias para validação de mercado.
Um representante de uma empresa norte‑americana destacou que a era Trump oferece uma janela para as soluções europeias funcionarem no mercado aberto. A manutenção de políticas de soberania tecnológica promete permanecer no centro das discussões.
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