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EUA prevê reduzir compromisso com a NATO, inclusive em tempo de guerra

Anúncio esperado aponta cortes no apoio material dos EUA à NATO em caso de crise, mantendo o contingente atual de cerca de 76 mil militares na aliança

Coronel Martin L. O'Donnell, Quartel-General Supremo das Forças Aliadas na Europa da NATO e Shona Murray, Euronews
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  • Os EUA preparam-se para anunciar cortes significativos no número de tropas disponibilizadas à Europa, sem alterar de imediato o contingente de cerca de 76.000 militares na NATO.
  • A medida insere-se numa mudança de rumo da administração, com foco fora da Europa e alinhada com a doutrina “America First”, com anúncio esperado para sexta-feira.
  • Os ajustes vão sobretudo reduzir o apoio material dos EUA aos aliados em caso de crise, mantendo, no entanto, as capacidades europeias para assumir maiores responsabilidades.
  • O anúncio não diminui de imediato os efetivos no continente, mas pode implicar alterações no posicionamento e no apoio no futuro.
  • Apesar das alterações, os EUA reiteram o compromisso com a NATO e com uma presença robusta na Europa, destacando forças terrestres, aéreas, navais e especiais, incluindo participação no exercício Trojan Footprint.

Os Estados Unidos preparam-se para anunciar cortes significativos no número de tropas disponíveis à NATO, em linha com uma mudança de prioridade para a Europa. A medida não altera, de momento, o total de militares estacionados na aliança.

Segundo o anúncio, a decisão foca-se nas capacidades que os EUA colocam à disposição dos aliados, não no efetivo atual no terreno. O objetivo é realocar recursos para outros teatros de operação ainda por definir.

A previsão aponta para uma redução nas capacidades norte-americanas em caso de crise na Europa, ainda que o contingente total de cerca de 76.000 militares na NATO permaneça inalterado a curto prazo. A mudança envolve capacidades, não números.

Em entrevista ao Europe Today, da Euronews, o coronel Martin O’Donnell, assessor militar sénior da NATO, confirmou o diálogo com Washington e explicou que os ajustes visam regiões onde a Defesa europeia é mais capaz de assumir responsabilidades.

O’Donnell acrescentou que os cortes serão nos domínios em que os europeus reforçaram investidas e capacidades, sem surpresas para os aliados. A prioridade é manter o apoio estratégico onde há maior autossuficiência europeia.

Embora o anúncio não reduza imediatamente o pessoal no terreno, uma fonte da NATO disse que o apoio material dos EUA à Europa poderá diminuir em caso de crise, com o foco a deslocar-se para outros teatros.

O Pentágono confirmou, por meio do porta-voz Sean Parnell, que os EUA estão a reduzir o número de tropas disponíveis para a NATO, num processo faseado centrado no posicionamento na Europa.

No contexto, o Pentágono já tinha cancelado, recentemente, a deslocação de 4000 militares da 2.ª Brigada de Combate Blindada para a Polónia, decisão associada a uma retórica de mudança de prioridades do governo.

Essa reorientação acontece depois de declarações de altos responsáveis sobre o foco norte-americano em outros temas regionais, mantendo, porém, uma presença considerável na Europa para exercícios e operações conjuntas.

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