- Putin e Xi assinam, em Pequim, uma declaração conjunta para reforçar a cooperação militar entre Rússia e China.
- O Kremlin rejeita que a visita tenha relação com a viagem do presidente norte-americano Donald Trump, mas o encontro desperta attentos na Europa.
- A China continua a apoiar a Rússia com assistência econômica, militar e diplomática desde o início da invasão da Ucrânia, mantendo uma relação “inabalável”.
- Na agenda, Xi pediu o fim dos combates no Médio Oriente e destacou propostas para paz, citando impactos positivos sobre os mercados de energia.
- Um dos grandes acordos ainda sem conclusão é o gasoduto Força da Sibéria 2, com potencial de enviar até 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano para a China.
Vladimir Putin chegou a Pequim para uma reunião com Xi Jinping e participou na assinatura de uma declaração conjunta. O encontro ocorreu no Grande Salão do Povo, na quarta-feira, com foco na cooperação militar entre os dois países. A imprensa acompanhou o ato como parte de uma visita diplomática de alto nível.
O texto assinado prevê reforçar a cooperação entre as forças armadas da China e da Rússia, além de manter uma relação de vizinhança estável e amistosa. O Kremlin afastou ligações com a deslocação de Donald Trump, salientando que a visita não se liga a outros eventos internacionais. Pequim apresentou uma postura de neutralidade sobre a Ucrânia.
Na Europa, persiste o receio de ficar à margem das decisões globais, apesar da assinatura. A China tem fornecido apoio económico, militar e diplomático a Moscovo desde o início da invasão da Ucrânia em 2022, o que ajuda a Rússia a manter o esforço bélico.
Relação China-Rússia
A cooperação entre os dois países permanece estável e de longo alcance, com ênfase na colaboração militar. Pequim tem procurado manter uma posição neutra publicamente quanto a Ucrânia, porém o acordo reforça a parceria estratégica entre as nações. Observa-se uma aposta de Beijing em manter vínculos fortes com Moscovo.
Analistas apontam que o pacto não implica uma mudança rápida na posição de Pequim sobre o conflito, mas reforça o alinhamento estratégico entre as duas potências. A China pretende também diversificar fontes de energia e evitar ficar dependente de rotas marítimas vulneráveis.
Gasoduto Força da Sibéria 2
Um dos dossiers mais relevantes que permanece em aberto é o gasoduto Força da Sibéria 2, com capacidade para até 50 mil milhões de metros cúbicos por ano. O projeto envolve principal ligação energética entre a Rússia e a China, com impacto significativo para o Kremlin.
As negociações não chegaram a pormenores finais durante as conversas de quarta-feira. Mantém-se a leitura de que houve um entendimento de princípio entre Moscovo e Pequim sobre o caminho estratégico do gasoduto. A UE continua a procurar reduzir a dependência energética russa.
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