- Em Portugal, cerca de 75% da população nunca utiliza transporte público ou o faz menos de uma vez por mês, posição entre os casos mais graves da Europa.
- A nível europeu, mais de metade recorre aos meios coletivos menos de uma vez por mês ou nunca.
- O relatório identifica quatro dimensões da “pobreza de mobilidade”: falta de disponibilidade, inacessibilidade a serviços, custos elevados e redes inadequadas, com impacto sobre quem já está mais vulnerável.
- Em Portugal, as principais razões para não usar transporte público são baixa frequência, ausência de rede na área, tempos de viagem longos, dificuldades de acesso e questões de segurança.
- O documento recomenda ações para inverter a tendência: tornar o transporte público mais atrativo e acessível, identificar grupos vulneráveis, planear cidades com “cidades dos 15 minutos” e acompanhar políticas climáticas com medidas de mitigação para não agravar desigualdades.
Em Portugal, quase 70% da população nunca utiliza transporte público, aponta um relatório da Greenpeace sobre “pobreza de mobilidade” na Europa. O estudo revela que 75% da população portuguesa não usa qualquer transporte público ou o faz menos de uma vez por mês.
O documento, elaborado pelo Öko-Institut na Alemanha e encomendado pela delegação da Europa Central e Oriental da Greenpeace, analisa obstáculos à mobilidade climática justa. Entre Chipre, Itália e Portugal surgem algumas das taxas mais elevadas de afastamento dos transportes coletivos.
Contexto europeu
Em termos comunitários, mais da metade dos cidadãos recorre a este meio de transporte menos de uma vez por mês ou nunca. O relatório define quatro dimensões da pobreza de mobilidade: disponibilidade, acessibilidade, custos e inadequação das redes.
Portugal em foco
Além da elevada taxa de não utilização, o estudo analisa motivações para não usar transportes públicos em Portugal. Razões comuns incluem baixa frequência, ausência de rede na área, tempos de viagem longos, acesso físico difícil e questões de segurança.
A sobrecarga financeira associada ao transporte revela que, em Portugal, o peso está menos na posse forçada de automóvel do que na quase ausência de uso de transportes públicos. Em contrapartida, quase 5% não tem carro por impossibilidade financeira.
tempo de viagem e acessibilidade
Quanto à chamada pobreza de tempo, Portugal não figura entre os mais penalizados. Países como Letónia, Reino Unido e Irlanda lideram esse ranking, com uma parte relevante da população a gastar longos minutos na viagem para o emprego.
Cultura do automóvel e barreiras
O relatório aponta a ausência de padrão único para a não utilização de transportes públicos, destacando um fator transversal: a prevalência cultural do automóvel. Em Portugal, a expressão “outro motivo” é a mais mencionada, interpretada como reflexo dessa preferência.
Três pilares do problema
Entre os dados, até 6% da população não usa por ser caro, e até 15% faz grande esforço financeiro. A rede e a segurança também afetam especialmente as mulheres, que relatam maior exposição a situações de assédio.
O que pode mudar
O documento propõe quatro vias de ação: tornar os transportes mais atractivos com passes sociais e redes gratuitas em alguns locais; mapear grupos vulneráveis e adaptar respostas específicas por género e idade; reduzir a pobreza de tempo com planeamento urbano de cidades de 15 minutos e otimização de rotas; e acompanhar políticas climáticas com medidas de mitigação financiadas por fundos sociais, como leasing social de veículos elétricos para rendimentos baixos.
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