- O Ministério Público de Paris investiga violência em 84 jardins-de-infância, cerca de vinte escolas primárias e uma dezena de creches, com “urgência absoluta” nas diligências.
- A procuradora Laure Beccuau revelou três aberturas de instrução e cinco notificações para comparência perante o tribunal criminal; um animador sociocultural foi colocado em prisão preventiva.
- A controvérsia ganhou maior visibilidade após uma reportagem da France 2 que filmou monitoras a gritar com crianças e a beijar uma criança; 73 pais apresentaram queixa à procuradora Beccuau.
- A queixa, entregue a doze de fevereiro, refere-se a períodos fora do horário escolar (cantina, acolhimento extracurricular, recreios, sesta, acolhimento ao final do dia) e envolve violência, colocar em perigo e abandono, entre outros crimes.
- Em dois mil e vinte e cinco ocorreram novas queixas que levaram ao afastamento de pelo menos quarenta animadores; em dois mil e vinte e seis, até janeiro, sessenta e oito funcionários foram suspensos, 31 por suspeitas de violência sexual; a autarquia prepara um plano de 20 milhões de euros e inspeções externas às escolas.
O Ministério Público de Paris está a investigar possíveis casos de violência em 84 jardins-de-infância, cerca de 20 escolas primárias e uma dezena de creches. Laure Beccuau destacou a urgência das diligências, que abrangem a generalidade dos bairros da capital francesa. O foco está em situações de violência e agressão sexual envolvendo crianças em períodos extracurriculares.
A procuradora explicou que, no âmbito dos processos, já foram abertas três instruções de inquérito e emitidas cinco notificações para comparência em tribunal. Um animador sociocultural foi colocado em prisão preventiva, segundo a rádio RTL. As investigações visam esclarecer factos ocorridos em instituições da cidade.
Em janeiro, a notícia ganhou notoriedade após uma jornalista da France 2 ter trabalhado disfarçada numa escola do 7.º arrondissement, Saint-Dominique. Filmou episódios em que monitoras gritavam com crianças na cantina, e houve registro de um beijo de uma monitora numa criança, conforme o jornal Le Parisien.
Poucos dias depois, 73 pais de crianças de escolas como Rapp, La Rochefoucauld e Saint-Dominique apresentaram uma queixa à procuradora Beccuau, denunciando fatos graves relacionados com a supervisão em períodos extracurriculares. A queixa, apresentada a 12 de Fevereiro, cita horários fora do período escolar, como cantina, acolhimento, recreios e lanche.
Entre as infrações apontadas estão violência voluntária, colocar terceiros em perigo, abandono de pessoa incapaz e omissão de impedir um crime contra a integridade física, além de não denúncia de maus-tratos a menores. O caso envolve uma dimensão de supervisão de crianças pequenas fora do tempo estritamente escolar.
Segundo o Libération, existem cerca de 17 mil animadores no sector das atividades extracurriculares em Paris, em muitos casos com salários baixos e contrato de prestação de serviços. O Le Figaro acrescenta que muitos destes trabalhadores são contratados de forma precária.
Ao longo de 2025 surgiram novas queixas em escolas de Paris, levando ao afastamento de pelo menos 40 animadores, conforme a RTL. Em 2026, desde Janeiro, 78 funcionários foram suspensos, 31 por suspeitas de violência sexual, números descritos como sistémicos pelo novo presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire.
Grégoire afirmou que as investigações não se limitam a casos de pedofilia, mas também avaliam a qualidade de acolhimento, supervisão, ensino e acompanhamento das crianças. O autarca adianta que as diligências têm sido aceleradas e que os procedimentos de recrutamento foram revistos.
Para responder à dimensão do problema, em Abril foi anunciado um plano de ação de 20 milhões de euros para o sector das atividades extracurriculares. O programa inclui simplificação da cadeia de denúncia, criação de uma equipa dedicada a estes casos e maior transparência para as famílias, com inspecções externas aos estabelecimentos.
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