- Cerca de 85% das perdas com transferências fraudulentas são suportadas pelos utilizadores, mesmo quando a ordem parte do infrator, segundo o Banco de Portugal.
- Em 2025, as queixas relacionadas com fraudes digitais devem aumentar, de acordo com o regulador.
- No ano passado, o Banco de Portugal registou 2.577 reclamações relacionadas com fraudes em operações de pagamento, mais 45% que em 2024; 1.245 dizem respeito a transações com cartão.
- O BdP atribui o agravamento da fraude ao maior uso de canais digitais e redes sociais, que aumentam a exposição dos consumidores.
- O Banco de Portugal criou um grupo de trabalho sobre este crime e prepara, para 25 de maio, o lançamento de uma Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital em Portugal; o uso de spoofing persiste, e Portugal ainda não legislou esta matéria.
Cerca de 85% das perdas com fraudes em transferências foram suportadas pelos utilizadores, mesmo quando a ordem partiu do infrator. Dados do Banco de Portugal indicam aumento de queixas em 2025 relacionadas com fraudes digitais, com 2577 reclamações no conjunto de operações de pagamento associadas a fraude no ano passado. O BdP aponta o crescimento do uso de canais digitais e redes sociais como alavancadores do problema.
A instituição liderada por Álvaro Santos Pereira explicou que o impacto social destas fraudes tem aumentado. Os utilizadores são mais expostos quando recebem chamadas supostamente fidedignas via telefone e partilham credenciais de acesso para operações de pagamento. O banco sublinha que Portugal é um caso em que o combate ao spoofing ainda não está legislado.
No âmbito da resposta institucional, o BdP criou um grupo de trabalho dedicado ao crime digital e prepara-se para lançar, no próximo dia 25 de maio, uma Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital em Portugal. A iniciativa visa melhorar a deteção e a resposta a fraudes, bem como apoiar os clientes.
Aposta na prevenção e legislação
A fraude por spoofing é usada para enganar os consumidores, com números de telefone ou emails que parecem legítimos. A ANACOM já propôs alterações à Lei das Comunicações Eletrónicas, em outubro de 2024, para permitir o combate a estas técnicas. O objetivo é assegurar verificação de implementação e cumprimento pelas operadoras.
Apesar do aumento das fraudes digitais, cerca de 8% dos utilizadores da internet já foi vítima. Em média, 40% não denunciaram, por acreditarem que não faria diferença. As autoridades insistem na importância de a população reportar casos para reduzir danos.
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