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Governo quer rever tarifa social de energia para apoiar quem realmente precisa

Governo quer rever critérios da tarifa social de energia para evitar acesso indevido por residentes com rendimentos elevados, assegurando apoio a quem precisa

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca
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  • O Governo quer rever os critérios da tarifa social de energia para assegurar que o apoio chega a quem realmente precisa, disse o secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, em Lisboa.
  • Barroca afirmou que a reforma está no programa do Governo e será executada “a seu tempo”, sem avaliações caso a caso, visando decidir quem tem acesso e eliminar casos de acesso indevido.
  • O responsável citou exemplos de residentes com rendimentos elevados, alguns estrangeiros, que não declarando impostos acabam por beneficiar da tarifa, destacando que o problema está nos critérios, não nas pessoas.
  • A tarifa social de energia tem mais de 700 mil beneficiários e um impacto anual de quase 250 milhões de euros.
  • A Agência Internacional de Energia recomenda associar o apoio a limiares de consumo, com o financiamento a passar para o Orçamento do Estado, e reforçar a coordenação entre investimento, infraestruturas, consumidores e acessibilidade dos preços.

O Governo pretende reativar a avaliação dos critérios da tarifa social de energia, para garantir que o apoio chegue aos cidadãos que realmente precisam. O anúncio foi feito em Lisboa pelo secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, durante a apresentação da Análise à Política Energética de Portugal 2026 da Agência Internacional de Energia (AIE).

Barroca informou que a reforma da tarifa está no programa governamental e será implementada oportunamente. O objetivo é decidir quem pode aceder ao apoio e assegurar que quem realmente precisa seja beneficiário, sem, porém, colocar em causa quem já recebe a tarifa.

O responsável explicou que existem casos de residentes com rendimentos elevados, incluindo alguns estrangeiros, que acabam por beneficiar da tarifa por não declararem impostos no país. Rui Barroca destacou que o problema está nos critérios, não nos beneficiários, e rejeitou a ideia de acusar pessoas de fraude.

O Governo aponta que não será feita uma avaliação caso a caso de todos os beneficiários, mas sim uma revisão dos critérios para garantir equidade. Barroca mencionou que Portugal tem, numericamente, mais beneficiários da tarifa social do que Espanha, o que deverá orientar a reflexão sobre o modelo atual.

Desdobramentos da AIE e recomendações

A AIE sugeriu associar a tarifa a limiares de consumo em quilowatt-hora e transferir o financiamento para o Orçamento do Estado, em vez de depender da fatura de energia. A diretora executiva adjunta, Mary Burce Warlick, destacou o progresso português em energias renováveis e uma quota renovável de 81% na produção elétrica mensal em janeiro.

O analista Jacques Warichet destacou que Portugal está numa posição favorável face a outros países europeus na crise energética, devido ao peso das renováveis no sistema. A AIE apresenta ainda dez recomendações para o país, incluindo retirar encargos não energéticos da fatura e apoiar a compra de veículos elétricos usados por famílias de baixos rendimentos.

O relatório aborda o planeamento das redes e a maior coordenação entre investimento, infraestruturas e acessibilidade aos preços, como passos para a transição energética. Em 2025, o gás natural teve peso reduzido na formação do preço da electricidade em Portugal, segundo a AIE, mas sem abandono súbito dessa fonte.

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