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Migrantes climáticos na Europa vivem com medo de fenómenos extremos

Primeiros migrantes climáticos da UE vivem em medo permanente de fenómenos extremos, com deslocações internas a intensificarem-se por secas, cheias e incêndios

Panagiotis Panagiotopoulos deixou a aldeia de Vlochos, na Tessália, no centro da Grécia, depois de as cheias a tornarem inabitável.
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  • A Europa está a acolher migrantes climáticos, com o Internal Displacement Monitoring Centre a apontar cerca de 413 mil deslocados na UE entre 2008 e 2023, sendo 2023 o pior ano até agora.
  • Grécia: a aldeia de Vlochos ficou devastada pela tempestade Daniel em 2023; famílias realojadas em terreno mais elevado e, noutra localidade, Metamorfosi, 95% dos agregados familiares votaram a favor da mudança de local.
  • Alemanha: o risco varia por região, com incêndios mais frequentes no nordeste e cheias no sul e oeste; no total, 84 mil deslocações internas entre 2008 e 2024, com as cheias do vale do Ahr em 2021 a destacarem-se (134 mortos, cerca de 40 mil afetados).
  • França: northernne inundada em 2024 levou quase 800 habitantes a abandonar Blendecques; 1,4 metros de água no rés-do-chão; 2022 registou cerca de 45 mil deslocados no país.
  • Perspetiva europeia: a crise climática pode fazer com que, até 2050, a Europa esteja 2,5 °C mais quente, levando milhões a deslocarem-se internamente em busca de segurança e serviços; especialistas alertam para o aumento de migrantes climáticos internos.

A Europa enfrenta um fenómeno crescente de migrantes climáticos, pessoas que são obrigadas a abandonar as suas casas devido a tempestades, cheias, incêndios e secas. Em 2023, a Grécia viveu cheias intensas que devastaram palamas, levando famílias a realojarem-se em regiões mais elevadas. A experiência tem sido marcada pelo medo recorrente de novas intempéries.

No âmbito europeu, o Internal Displacement Monitoring Centre estima que cerca de 413 mil pessoas foram deslocadas internamente entre 2008 e 2023. Este ano foi registado como o pior desde então, com muitos a fugir de incêndios, cheias e secas. A situação varia conforme o país e as políticas locais de realojamento.

Grécia: aldeias divididas entre permanecer ou mudar de lugar

Na Tessália, a aldeia de Vlochos ficou em risco elevado desde 1953, com a tempestade Daniel a causar danos sem precedentes em 2023. As casas foram inundadas e tornaram-se inabitáveis, levando parte da população a ponderar a relocação.

Em Metamorfosi houve referendo: cerca de 95% apoiou a mudança para terreno mais elevado. Muitos habitantes continuam a ver Vlochos como casa, mas reconhecem o risco de inundações recorrentes. O debate continua entre permanecer e relocar.

França: norte sob água e o sudoeste em fogo

Blendecques, no norte de França, viu 1,4 metros de água no rés do chão durante inundações de janeiro de 2024. A casa ficou-inuldável e muitos moradores deslocaram-se para áreas mais altas. O Norte é um exemplo de deslocação massiva a partir de cheias invasivas.

Em todo o país, quase um quarto da população considera mudar de município devido aos riscos climáticos. Em 2022, cerca de 45 mil pessoas foram deslocadas por desastres ambientais, refletindo um padrão que pode intensificar-se.

Alemanha: cheias históricas e incêndios recorrentes

A Alemanha registou 84 mil deslocações internas entre 2008 e 2024, com a maioria provocada por cheias, especialmente no sudoeste. O vale do Ahr, em 2021, causou 134 mortos e dezenas de milhares afetados, deixando famílias sem habitação.

Entretanto, a seca no nordeste aumentou o risco de incêndios florestais. Agricultores já sentem os efeitos da diminuição da pluviosidade, enquanto outras regiões enfrentam cheias mais frequentes.

Um continente em movimento

Especialistas alertam para um aumento de migrantes climáticos internos nos próximos anos. Se as tendências atuais se confirmarem, a Europa pode ver mais deslocações dentro de países, à procura de emprego, serviços ou condições de vida mais estáveis.

Pavlos Baltas, demógrafo, afirma que a realidade será marcada por deslocações contínuas. O objetivo público passa por planeamento urbano e políticas de adaptação que reduzam vulnerabilidades das comunidades.

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